A debandada da bolsa brasileira acaba de ganhar mais um capítulo. Desta vez, quem prepara as malas para deixar o pregão da B3 é a Neogrid (NGRD3) — uma empresa que chegou ao mercado no auge da euforia com tecnologia, digitalização e transformação da cadeia de suprimentos, mas que agora caminha para fechar o capital sob o guarda-chuva de um novo controlador.
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A Neogrid recebeu o aval que faltava para avançar na operação de saída da B3.
Em fato relevante divulgado na última quinta-feira (21), o conselho de administração da companhia emitiu parecer favorável, sem ressalvas, à oferta pública de aquisição (OPA) que prevê tanto a aquisição de controle quanto o cancelamento do registro de companhia aberta.
Na prática, o movimento abre caminho para que a empresa catarinense deixe o Novo Mercado e passe a integrar o ecossistema de negócios do Grupo Hindiana, veículo de investimentos liderado por Alfredo Villela Filho.
Neogrid (NGRD3) chegou à bolsa na onda tech — e agora prepara a saída
A trajetória da Neogrid na bolsa resume bem parte do ciclo recente da B3. A empresa estreou no mercado em 2020, em um período marcado por juros baixos, abundância de capital e forte apetite por companhias ligadas à tecnologia e transformação digital.
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A tese era usar software e análise de dados para integrar indústrias, varejistas e fornecedores, digitalizando a cadeia de abastecimento e melhorando eficiência operacional.
Mas o ambiente mudou rapidamente nos anos seguintes. Com juros elevados, investidores mais seletivos e uma busca crescente por geração de caixa e previsibilidade, boa parte das small caps de tecnologia perdeu espaço — tanto em valuation quanto em liquidez.
Agora, a companhia se prepara para uma nova fase longe dos holofotes do mercado de ações brasileiro.
Preço da OPA vira ponto de disputa
Quando a oferta foi apresentada inicialmente, em dezembro de 2025, o Grupo Hindiana propôs pagar R$ 29 por ação.
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O valor, no entanto, enfrentou resistência relevante de acionistas minoritários — especialmente do Fundo L4, detentor de mais de 10% das ações em circulação.
A pressão levou à contratação da Seneca Evercore para elaborar um laudo independente de avaliação.
Após o processo, o preço foi revisado para R$ 30,89 por papel, valor que ainda será atualizado pela taxa Selic desde 30 de setembro de 2025 até a liquidação financeira da operação.
O conselho destacou que o novo preço ficou exatamente no meio da faixa indicada no laudo de avaliação, que apontou intervalo entre R$ 29,42 e R$ 32,36 por ação.
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Segundo os conselheiros independentes, a metodologia de Fluxo de Caixa Descontado (FCD) foi considerada a mais adequada para capturar tanto as perspectivas de geração de caixa quanto os riscos do negócio da Neogrid.
Para preservar a governança do processo, os conselheiros ligados aos controladores atuais — Miguel Abuhab e David Abuhab — se abstiveram da votação.
O parecer favorável foi emitido pelos membros independentes do colegiado, que avaliaram não apenas os aspectos financeiros da proposta, mas também os planos estratégicos desenhados pela Dalpe Gestão e Participações, braço do Grupo Hindiana na operação.
O plano para a “nova Neogrid” fora da bolsa
A saída da B3 não significa exatamente uma redução de ambição para a Neogrid. A estratégia do Grupo Hindiana envolve encaixar a companhia em um ecossistema já composto por ativos de software, logística, infraestrutura de dados e serviços financeiros.
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Hoje, o grupo já possui participações em empresas como a securitizadora CERC; a plataforma de soluções para logística Nstech; e a fintech Blu Pagamentos.
A avaliação é que a Neogrid pode funcionar como uma peça estratégica para ampliar integração de dados, eficiência logística e soluções de software dentro dessa estrutura.
Mesmo com a mudança de controle, o fundador Miguel Abuhab deve seguir próximo da companhia, permanecendo como executive chairman e liderando o Comitê de Inovação.
A percepção do mercado é que as chances de sucesso da operação são elevadas.
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Isso porque já existem acordos firmados garantindo adesão de cerca de 21% das ações em circulação, incluindo participações relevantes do Fundo L4 e do investidor Ricardo Goldfarb.
O leilão da OPA está marcado para o dia 27 de maio de 2026.
A partir daqui, a decisão passa para as mãos dos acionistas minoritários: aceitar a liquidez imediata oferecida pela operação ou permanecer em uma empresa fechada, sob uma nova estrutura de controle e governança.
O alerta para quem decidir ficar
Embora o conselho tenha emitido parecer favorável à oferta, o documento também traz um alerta para os investidores que eventualmente optarem por não aderir à OPA.
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Caso a operação seja concluída e o registro de companhia aberta seja cancelado, os acionistas remanescentes passarão a conviver com uma estrutura de capital fechado — o que reduz significativamente tanto a liquidez quanto o nível de transparência regulatória.
Na prática, a companhia deixará de estar sujeita às obrigações típicas das empresas listadas na bolsa.
Isso inclui o fim da divulgação obrigatória de fatos relevantes, demonstrações trimestrais (ITRs) e exigências relacionadas à presença de conselheiros independentes.
“A companhia deixará de estar sujeita às normas aplicáveis às companhias abertas, deixando de ser objeto de supervisão pelo regulador”, destacou a Neogrid no documento.
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