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Donald Trump vem empilhando guerras desde o início do segundo mantado. Primeiro veio o tarifaço global, depois os ataques diretos a Jerome Powell e ao Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e, agora, com um conflito no Oriente Médio que já dura muito mais que as três semanas previstas inicialmente.
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O saldo também é digno dos escombros das batalhas em campo: um choque de oferta clássico — crescimento para baixo e inflação para cima — que recai diretamente no bolso não só dos norte-americanos como dos consumidores e investidores mundo afora.
Para Benjamin Mandel, chefe de análise da Jubarte Capital, o choque atual é transitório. O ex-Fed e Ph.D. em Economia participou do mais recente episódio do podcast Touros e Ursos, do Seu Dinheiro, que você pode conferir na íntegra aqui, e compartilhou o que pensa sobre o governo norte-americano, sobre Trump, o futuro da maior economia do mundo — e como o Brasil se posiciona em relação a tudo isso.
“Acho que este caso é mais parecido com a guerra comercial. É um choque bem mais concentrado em energia e alimentos, devido ao fechamento do Estreito de Ormuz”, diz Mandel.
“Por outro lado, a demanda nos EUA está rodando perto da taxa potencial (2%), mas mista: forte em tecnologia e IA [inteligência artificial], e desacelerando no consumidor. Vejo um choque mais localizado e concentrado do que algo duradouro; um choque transitório parecido com o de 2025, o que me deixa mais bullish [otimista]”, acrescenta.
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Mandel lembra ainda que, apesar de transitório, o choque de oferta provocado pelas políticas de Trump podem custar um preço alto para o republicano nas eleições de meio de mandato deste ano.
“O prolongamento dessa crise pode cobrar um preço alto nas eleições legislativas [midterms] de novembro. O consenso aponta que os republicanos devem sofrer desgaste perante o eleitorado, com grandes chances de perderem a maioria na Câmara e enfrentarem uma disputa acirrada pelo Senado”, afirma.
O Brasil no meio de Lula e Trump
O cenário econômico global e brasileiro vive dias de incerteza sob o impacto das estratégias de Trump e da guerra no Oriente Médio. Para o investidor brasileiro, o momento é de cautela mista.
Segundo Mandel, o País enfrenta dificuldades para ignorar choques inflacionários devido à inércia do sistema, o que pode tornar o ciclo de queda dos juros mais curto e menos profundo do que o esperado.
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“Por outro lado, a política monetária restritiva já surte efeito na atividade econômica, e o real valorizado ajuda a suavizar o repasse desses choques externos para a inflação por aqui”, afirma.
No campo diplomático, o ex-Fed diz que a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump é marcada por uma química pessoal que contrasta com embates em fóruns globais, como na Organização Mundual do Comércio (OMC), onde, segundo ele, o Brasil tem dificultado agendas de interesse norte-americano.
“Lula não perde oportunidade de complicar a vida de Trump, mas no ‘um a um’, eles têm uma química boa”, afirma. “Trump não está em posição de poder total para comprar mais brigas, e o Brasil tem recursos que podem ajudar os EUA”, acrescenta.
Trump e Lula devem se reunir nesta quinta-feira (6), em Washington. O momento é crucial para o petista, depois da derrota histórica no Congresso, que barrou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
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Juros nos EUA: Trump vai influenciar o novo chefe do Fed?
Em meio à pressão política, o Federal Reserve se prepara para uma mudança de comando com a entrada de Kevin Warsh no lugar de Jerome Powell, cujo mandato como presidente do banco central norte-americano termina em 15 de maio.
Para Mandel, Warsh não deve ceder aos desejos da Casa Branca por juros mais baixos se os dados econômicos não indicaram que o caminho para o afrouxamento monetário está livre.
“Existe uma cultura muito forte de independência no Fed. O prédio em Washington tem mais de 500 doutores em economia; é uma máquina de objetividade e análise. É muito difícil para Kevin Warsh entrar e fazer reformas significativas no dia um”, afirma.
Por isso, Mandel, que já esteve no Fed, se diz tranquilo com a sucessão.
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“Ele [Warsh] acredita que a inovação e a IA podem puxar o crescimento [dos EUA] para cima e a inflação para baixo, como nos anos 90, e usará isso como raciocínio para baixar juros ao longo do tempo”, acrescenta.
E os investimentos?
Com todo esse pano de fundo costurado por Trump, a bolsa brasileira tem visto uma enxurrada de dinheiro gringo entrando. A estratégia da Jubarte Capital, no entanto, é dividida.
“Estamos divididos: 50% de risco no Brasil e 50% lá fora. No global, estamos levemente ‘risk on’ [apetite por risco], pois não enxergamos recessão extrema”, diz Mandel.
Por essa razão, ele diz que a preferência é por ações, especificamente o S&P 500, e mercados como a Coreia do Sul, beneficiados por IA.
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“Temos menos conforto com renda fixa nos EUA, usando Treasurys mais como seguro. Gostamos de ouro para proteção contra estresse inflacionário”, afirma.
No Brasil, é hora de correr risco em prefixados (duration) conforme o ciclo de cortes avança mas, segundo ele mesmo diz, “ainda não adicionamos ações”.
Os vencedores e perdedores (da guerra de Trump)
O último bloco do programa é o que dá nome ao podcast. Nele, os convidados elegem os touros e os ursos da semana.
Jorge Messias aparece entre os ursos ao lado de Kora Saúde, que pediu recuperação extrajudicial nos últimos dias, após acumular uma dívida de R$ 1,3 bilhão.
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Entre os touros, o bitcoin (BTC), que foi a maior alta do mês de abril, de 7,5% em reais, embora ainda acumule perdas no ano.
Mas outros ativos ainda foram eleitos por Mandel e os outros participantes do podcast com touros e ursos da semana. Se quiser conferir a lista completa, é só dar o play!
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