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Em um mercado em que bancos ainda tentam sobreviver ao peso de juros elevados, o Banco Inter decidiu fazer um novo compromisso com os investidores: não apenas crescer, mas crescer com rentabilidade. E, mais do que isso, elevar o próprio sarrafo no meio do caminho.
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Depois de anos priorizando escala e aquisição de clientes, o Inter entra agora em uma nova fase — mais exigente, mais cobrada e, ao mesmo tempo, mais ambiciosa.
A própria administração define esse momento como o “terceiro capítulo” do Inter: uma tentativa de provar que o modelo digital não só cresce com eficiência, mas também é capaz de gerar rentabilidade consistente — e comparável à dos grandes bancos.
Do 60-30-30 à “Regra de 50”: o novo jogo do Inter
Se antes o plano 60-30-30 funcionava como a principal referência estratégica de longo prazo — atingir 60 milhões de clientes, 30% de eficiência e 30% de ROE até 2027 —, agora ele deixa de ser a única estrela-guia do Inter.
Sem abandonar a meta original, o Inter adiciona uma nova camada de ambição: a chamada “Regra de 50”. Inspirada na “Rule of 40” das empresas de tecnologia, mas com um grau maior de exigência, a métrica combina crescimento de receita e rentabilidade.
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A meta é que esses dois indicadores, somados, precisam chegar a 50% até 2029.
Na prática, isso implica sustentar um crescimento acima de 30% ao ano enquanto a rentabilidade avança de forma consistente.
“Queremos ter lucratividade, formação sustentável de capital, mas também queremos ter tamanho”, disse João Vitor Menin, CEO Global da Inter&Co, durante encontro com investidores em Wall Street. “Esse equilíbrio é o que define a empresa que estamos construindo.”
A nova meta passa a orientar a estratégia para os próximos três anos e meio e reforça a tentativa do banco de equilibrar expansão com disciplina financeira.
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Ainda há incerteza, porém, sobre como ela convive com o plano anterior — especialmente em relação ao prazo para atingir um ROE de 30%, inicialmente previsto para 2027.
De toda forma, para sustentar essas metas mais ambiciosas, o Inter aposta em três pilares já conhecidos — mas agora levados ao limite: o baixo custo de captação, a eficiência na prestação de serviços e a alavancagem operacional.
Essa transição, no entanto, não vem sem ruído. Mesmo após reportar lucro recorde de R$ 395 milhões no primeiro trimestre de 2026, as ações do banco chegaram a cair mais de 14% em Nova York na semana passada. Hoje, os papéis INTR caem pouco mais de 4,4% em Wall Street.
A reação escancara um ponto de tensão na tese do Inter: o mercado agora começa a questionar até que ponto esse crescimento é sustentável — e a que custo ele vem sendo construído.
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Inter mira expansão onde está o dinheiro de verdade
Para sustentar essa equação mais exigente, o Inter decidiu mudar o foco e avançar sobre um território historicamente dominado pelos grandes bancos: o crédito com garantia.
Depois de crescer em produtos mais básicos, como contas digitais e cartões, o banco agora mira segmentos como consignado privado, crédito com FGTS e financiamento imobiliário.
A leitura do Inter é que é ali que está o retorno mais previsível e o risco mais controlado.
Em um mercado de crédito que gira em torno de R$ 6 trilhões, essas linhas concentram a maior parte da rentabilidade e ainda permanecem, em grande medida, nas mãos dos bancos tradicionais — que detêm mais de 80% desse segmento.
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A estratégia é migrar capital que hoje está alocado em tesouraria para operações de crédito mais rentáveis, elevando o retorno marginal da carteira dos atuais 12% para algo próximo de 22%.
Ao mesmo tempo, o banco reconhece que ainda opera com uma alavancagem abaixo do potencial. Hoje, está em torno de 9,6 vezes — com a meta de se aproximar do intervalo de 11 vezes, mais próximo do padrão do setor, que varia entre 12 e 13 vezes.
O movimento, no entanto, vem acompanhado de um risco: crescer sem comprometer a qualidade dos ativos — justamente o ponto que começa a incomodar analistas.
Escala, engajamento e monetização: o tripé da nova fase do Inter
A aposta do Inter passa por aprofundar o relacionamento com uma base que já é grande, mas ainda pouco monetizada.
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Hoje, o banco tem cerca de 9% de market share em base de clientes no Brasil. Mas, em várias linhas de crédito, a participação do banco digital laranja ainda gira entre 1,5% e 2%. É esse “gap” que a instituição quer capturar.
“Todo cliente importa. Temos uma oportunidade enorme de fazer cross-sell e upsell”, afirmou o vice-presidente e diretor financeiro (CFO), Santiago Stel. “Nossa marca já é maior do que o nosso negócio transacional.”
A lógica é transformar engajamento em receita — e, principalmente, em crédito. Isso passa por aumentar a principalidade, expandir a base de depósitos e destravar a alavancagem do balanço.
Dentro desse plano, o banco também estabeleceu metas mais específicas, como dobrar o market share em crédito consignado e financiamento imobiliário até 2029.
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Crescer mais… sem gastar mais
Do outro lado da equação está o controle de despesas, peça-chave para sustentar uma das alavancas do plano 60-30-30: a eficiência.
O Inter promete reduzir seu índice de eficiência dos atuais 44% para 30% até 2027 — um movimento que depende menos de cortes e mais de alavancagem operacional.
Hoje, o banco opera praticamente com o mesmo número de funcionários de quando tinha metade da receita atual, o que, segundo a administração, sinaliza uma estrutura já desenhada para crescer sem expandir proporcionalmente os custos.
Segundo os executivos, a aposta está baseada na combinação entre escala e tecnologia.
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Há também um esforço claro de reduzir custos com fornecedores, consultorias e serviços externos — áreas que, segundo o banco, ainda carregam ineficiências relevantes.
“Testamos soluções de inteligência artificial que conseguem fazer o mesmo por uma fração do custo”, disse o CFO do Inter.
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