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A ideia do governo da Indonésia era construir uma nova capital “do zero”, no meio da selva, e inaugurá-la até 2030. Lançado em 2019 e orçado em US$ 33 bilhões, o projeto deveria ser executado em cerca de uma década. Hoje, no entanto, as obras avançam lentamente em meio a uma série de incertezas.
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Jacarta, a capital indonésia, é atualmente a cidade mais populosa do mundo. A população da região metropolitana é estimada em cerca de 42 milhões de habitantes. Não bastasse o caos urbano, a cidade é vulnerável a enchentes e afunda ano a ano.
Pelo plano lançado no fim da década passada, a capital seria transferida para Nusantara, uma cidade situada no meio da selva, próxima do centro geográfico do arquipélago indonésio, onde hoje vivem apenas cerca de 10 mil pessoas.
Restando poucos anos para que o prazo original da construção expire, é crescente a preocupação de que Nusantara se transforme em uma espécie de cidade fantasma.
Excesso de otimismo?
O plano foi lançado em 2019 pelo então presidente Joko Widodo. A promessa era que, dali a poucos anos, a Indonésia teria uma nova capital, totalmente planejada.
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A ousadia do plano era evidente desde o início. Jacarta situa-se em Java, ilha onde vive mais da metade da população da Indonésia. Nusantara, por sua vez, fica em Bornéu, mais conhecida pelas densas florestas tropicais.
ENQUANTO O MUNDO OLHA PARA O IRÃ…
Embora a pedra fundamental tenha sido lançada em 2019, a construção de Nusantara começou para valer apenas em 2022. E tudo correu bem nos dois primeiros anos.
Em 2024, os principais prédios governamentais e alguns edifícios comerciais, bancos e até parques e um aeroporto já haviam sido construídos.
O cenário mudou quando Prabowo Subianto assumiu a presidência do país, em outubro daquele ano. Subianto determinou que Nusantara seria transformada na “capital política” do país em 2028.
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À primeira vista, parece apenas uma questão de nomenclatura. A questão é que a categoria de capital política não existe na lei indonésia. Como a ideia original era que a cidade fosse transformada em capital plena, a viabilidade do empreendimento começou a ser questionada.
Como consequência, o financiamento anual do projeto saiu da casa dos bilhões de dólares para apenas US$ 400 milhões. A iniciativa privada recuou em aportes e organizações internacionais passaram a manifestar preocupações com a questão ambiental.
A região de Bornéu onde fica Nusantara era praticamente intocada antes das obras. A ilha abriga fauna e flora biodiversas, incluindo espécies em risco de extinção.
As obras, além de desmatarem mais de 2 mil hectares de manguezais nos últimos dois anos, impactaram a vida do povo Balik, afetado pela destruição de plantações, de monumentos religiosos e pela perda de acesso a recursos naturais.
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O governo declara estar em sintonia com a comunidade local — que ainda deseja que Nusantara dê certo — e que a construção não causará impactos ambientais significativos. Segundo os defensores do empreendimento, 75% dos 1.000 hectares do entorno urbano de Nusantara serão preservados.
No discurso, eles seguem firmes na promessa de finalizar a construção da capital. Confirmam que os prédios do Legislativo e do Judiciário ficarão prontos ano que vem e que em 2028 o presidente se mudará para a cidade.
Prabowo Subianto visitou Nusantara oficialmente pela primeira vez em janeiro de 2026, reafirmando o compromisso do presidente com o projeto herdado de seu antecessor.
O desfecho? Somente em 2028.
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A mudança de capital
Construir uma capital “do zero” visando a um objetivo específico não é uma atitude política nova na história das nações. A construção de cidades como Brasília, Ottawa (capital do Canadá) e até mesmo de Washington, nos Estados Unidos, são alguns exemplos.
No caso da Indonésia, o abandono de Jacarta e a criação de Nusantara teria o intuito de aliviar os problemas administrativos que a atual capital possui. Por ser crescido vertiginosamente até alcançar a condição de cidade mais populosa do mundo, Jacarta sofre com trânsito crônico, pressão sobre serviços públicos e com ocupação urbana desordenada.
Além disso, a cidade é alvo de inundações e está afundando. Literalmente. No caso das inundações, por se tratar de uma cidade costeira e ter boa parte de seu território abaixo do nível do mar, as mudanças climáticas e episódios de chuvas extremas causam episódios frequentes de enchentes.
Já em relação ao afundamento, a raiz do problema é a falta de saneamento, que obriga milhões de moradores a recorrer a poços artesianos. Isso acelera a retirada de água dos aquíferos, reduz a sustentação do solo e aprofunda o desequilíbrio geológico.
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Segundo o estudo, o problema resulta de um coquetel perigoso de fatores naturais e humanos:
- Urbanização rápida e desordenada: a explosão populacional pressionou o solo e os recursos hídricos, sem planejamento compatível.
- Extração excessiva de água subterrânea: cerca de 60% da população depende de poços artesianos, o que retira o “apoio” do subsolo e acelera o afundamento.
- Fatores geológicos naturais: Jacarta está próxima ao encontro da placa Indo-Australiana com a Eurasiática, o que dificulta a estabilidade do terreno.
- Sedimentos pouco consolidados: o solo, formado por materiais jovens e frágeis, se compacta com facilidade sob o peso da cidade.
Esse solo mais baixo dificulta a drenagem, agrava enchentes e obriga moradores a conviver com água contaminada, lixo e doenças. Isso ameaça a saúde pública e a qualidade de vida — como apontam análises da ONU citadas pela revista Wired.
Caso a construção de Nusantara seja concluída e ela passe a ser a nova capital, ainda há o risco de que isso não alivie significativamente os problemas de Jacarta, já que a mudança não levará a uma redução relevante da população.
A região metropolitana de Jacarta tem 40 milhões de habitantes. Nusantara está sendo planejada para abrir pouco mais de 1 milhão de pessoas.
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*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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