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(Imagem: Tarcisio Schnaider/iStock)
O Banco do Brasil (BBAS3) teve uma redução de 54% no lucro líquido no primeiro trimestre (1T26) na base anual. A queda, porém, não foi uma surpresa para os analistas do BTG Pactual, que apontaram o corte no guidance como algo inesperado.
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“No consolidado, foi um trimestre extremamente fraco, com ROE de apenas 7%, mas amplamente antecipado pelo mercado”, escreveram Antônio Pascale e equipe de analistas.
Na visão do banco, o principal fator de atenção foi o elevado custo de crédito, especialmente devido ao agronegócio, mas também refletindo a piora da inadimplência no crédito ao consumidor.
A inadimplência inicial na carteira de Pessoa Física (PF), com inadimplência (NPL) acima de 30 dias subiu 90 pontos-base no trimestre, para 9,3%, o que elevou as provisões brutas do segmento em quase 90% na base trimestral, para R$ 8,1 bilhões.
Em relatório, o BTG ainda destaca que a administração do BB afirmou que a visibilidade dos números permanece baixa, especialmente no agronegócio, enquanto as tendências recentes tanto no varejo quanto no crédito rural evoluíram pior do que o esperado anteriormente, embora as tendências operacionais subjacentes continuem relativamente saudáveis — com bom desempenho em margem financeira com mercado, tesouraria e receitas de serviços.
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Guidance é a surpresa da vez
Para a equipe do BTG Pactual, o novo corte nas estimativas do banco foi a “surpresa negativa” do 1T26. “Neste momento, a revisão do guidance era algo que não fazia parte do nosso cenário-base, embora reconheçamos que provavelmente tenha sido a decisão mais prudente”, diz o relatório.
As expectativas de lucro líquido ajustado foram reduzidas de R$ 22 a 26 bilhões para R$18 a 22 bilhões, um corte de 17% no ponto médio da faixa.
O BTG já havia revisado a projeção para R$ 20 bilhões, enquanto o consenso ainda está em R$ 22,6 bilhões.
“Dado o histórico recente de revisões negativas, porém, não descartamos que investidores passem a enxergar R$ 18 bilhões — o piso do guidance — como novo cenário-base para o ano”, destacaram os analistas.
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Em reação ao balanço, as ações BBAS3 operam majoritariamente em queda. Por volta de 12h40 (horário de Brasília), BBAS3 caía 0,14%, a R$ 20,73. Mais cedo, as ações chegaram a recuar 4,91% (R$ 19,74), na mínima intradia. Acompanhe o Tempo Real.
O BTG Pactual, por sua vez, mantém a recomendação neutra para as ações do BB após os resultados. O preço-alvo é de R$ 25 — o que representa um potencial de valorização de 20,4% sobre o preço de fechamento anterior.
O banco afirma que, com o novo guidance, o BB passa a negociar a 6,6 vezes o preço sobre lucro projetado em 2026, com um dividend yield (rendimento de dividendo) de 3,9% – valuation não mais “atrativo”, na visão dos analistas.
“Diante da crescente preocupação dos investidores com qualidade de ativos, da ainda limitada visibilidade sobre os resultados futuros do BB e do valuation ainda negociando acima das médias históricas relativas, seguimos cautelosos com a ação e acreditamos que ainda pode haver espaço para novas correções”, avaliaram Antônio Pascale, Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Bruno Henriques em relatório.
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A equipe ainda considera que BBAS3 acumula “apenas” 4% no ano, contra queda de 1% do Bradesco (BBDC4) que vem apresentando tendências operacionais “significativamente mais encorajadoras”.
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