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Pão de Açúcar (PCAR3) amarga prejuízo bilionário no 1T26, mas o mercado está de olho em outro ingrediente

Se o investidor do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) olhasse apenas para a última linha do balanço do primeiro trimestre de 2026, o susto seria grande o suficiente para abandonar o carrinho no meio do corredor. A companhia reportou um prejuízo líquido de R$ 1,347 bilhão — um salto dramático em relação aos R$ 93 milhões perdidos um ano antes. 

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Desse rombo bilionário, nada menos que R$ 1,014 bilhão refere-se a efeitos não recorrentes que não queimaram um centavo de caixa. Foram baixas contábeis (o famoso impairment) de ativos, softwares, fundo de comércio e um crédito de R$ 588 milhões no exterior. 

Sem esses ingredientes amargos, o prejuízo ajustado seria de R$ 333 milhões. Mas, enquanto o lucro não vem, a companhia corre para mostrar que a operação está sendo limpa e a margem, preservada. 

O check-out: receita em queda, margem em alta 

A receita líquida do Pão de Açúcar encolheu 8,2% no primeiro trimestre em base anual, para R$ 4,3 bilhões. O motivo? O Pão de Açúcar está fechando o que não dá lucro, como o formato Aliados e canais de e-commerce menos rentáveis. 

Na contramão, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado cresceu 12% no período, atingindo R$ 458 milhões, com uma margem que subiu para 10,5%. No varejo de alimentos, onde cada centavo conta, esse avanço de 1,9 ponto porcentual na margem é o que mantém o otimismo dos gestores vivo. 

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Do lado negativo, a Selic alta continua sendo corroendo o resultado. O custo financeiro subiu 20%, somando R$ 382 milhões negativos, pressionado pelos juros e por custos com garantias de contingências. 

A receita da salvação: o choque de gestão na estrutura de capital 

Se a operação está em modo de sobrevivência, o primeiro resultado de 2026 chama atenção para o passivo do Pão de Açúcar.  

A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 3,2 bilhões, elevando a alavancagem para 3,6 vezes (Ebitda/Dívida). Um patamar perigoso para qualquer varejista. 

É aqui que entra a estratégia de Alexandre Santoro, presidente do GPA, na esteira do pedido de recuperação extrajudicial. Segundo ele, o grupo carregava uma mochila pesada demais para o seu novo tamanho — uma estrutura de capital “incompatível”. 

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O Pão de Açúcar não quer apenas sobreviver ao plano de recuperação extrajudicial, quer reduzir a dívida líquida proforma em 74% — e o mercado está de olho nisso.

Se o plano for homologado conforme o esperado, a dívida de R$ 3,2 bilhões derreteria para R$ 822 milhões. Mais do que isso: a alavancagem financeira, hoje em 3,6 vezes, cairia para confortáveis 0,9 vez. 

O plano de reorganização foca em três pilares para dar fôlego ao Pão de Açúcar: 

  •  Alongamento: o prazo médio da dívida saltaria de 2,1 para 6,4 anos; 
  • Custo: o custo do endividamento cairia de CDI + 1,8% para CDI + 0,5% ao ano; 
  • Dívida bruta: o passivo total poderá cair de R$ 4,1 bilhões para R$ 1,7 bilhão. 

A questão, no entanto, é que junto com o balanço o Pão de Açúcar afirmou, em notas explicativas revisadas pela Ernst & Young, que há “incertezas relevantes” que podem levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da companhia.

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