A divulgação das conversas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master que está preso, fez o mercado tremer, pesando nas perdas de quase 4% do Ibovespa na semana. Mas se os investidores começam a apostar em fim da linha para o pré-candidato à Presidência da República, ele mandou um recado nesta sexta-feira (15): “vou até o fim” na disputa eleitoral.
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“Eu sabia que isso, por mais que pudesse ser usado contra mim, não vai, no fim das contas, impactar na minha pré-candidatura. É fácil de explicar e de entender, mas há um conjunto de pessoas, que parece estar a serviço do governo, torcendo para que o Lula seja reeleito presidente”, afirmou o senador em entrevista à CNN Brasil.
Flávio Bolsonaro alegou ser vítima de perseguição por parte do governo federal devido ao seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto e disse estar preparado para o cenário.
“Sempre soube que o PT iria jogar sujo, eu sempre soube da dificuldade que iria ser e eu sei que vai ser difícil esse caminho até lá”, completou, mencionando ainda que tem feito agendas de pré-campanha utilizando coletes à prova de bala e faca por considerar que está colocando sua vida em risco.
Contrato de confidencialidade e justificativas sobre o áudio
O caso ganhou repercussão após o The Intercept divulgar um áudio de 8 de setembro do ano passado, no qual Flávio Bolsonaro cobra repasses de Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, uma homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.
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Na gravação, o senador diz: “Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está um momento muito decisivo do filme e, como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado”.
CENÁRIO ELEITORAL PEGA FOGO
Na ocasião, o parlamentar indicava risco de calote ao diretor Cyrus Nowrasteh e ao ator principal, Jim Caviezel.
Questionado sobre ter negado o contato com o banqueiro — que está preso desde novembro — momentos antes da publicação do áudio, Flávio Bolsonaro argumentou que não foi “pego na mentira”, mas que omitiu as conversas para cumprir cláusulas de confidencialidade do projeto.
“Se alguém não compreendeu a razão da minha obrigação de me comportar daquele jeito, eu peço desculpas”, declarou, emendando que “não tem absolutamente nada para me pegar”.
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Sobre o teor das mensagens, em que chama o banqueiro de “irmão” e diz “estou e estarei contigo sempre”, o pré-candidato justificou o vocabulário por questões regionais e religiosas, negando intimidade ou convívio social com Vorcaro.
“Não tem intimidade. Quando eu me refiro a ‘irmão, meu irmão’, quem é do Rio de Janeiro sabe que é assim que a gente se comunica, que fala com outras pessoas. Você imagina o público evangélico, que só se refere a outro como irmão. Tem algum problema nisso?”, questionou o senador.
Ele acrescentou que, no período das negociações, o dono do Master “era um astro no Brasil, circulava bem entre as autoridades de Brasília, era cortejado por bancos, não tinha absolutamente problema nenhum”.
Orçamento e prestação de contas do filme
De acordo com as informações publicadas pelo The Intercept, o valor total negociado para o filme seria de R$ 134 milhões, sendo R$ 61 milhões destinados à produtora.
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Na entrevista, Flávio Bolsonaro detalhou que o orçamento global do longa-metragem foi estipulado em US$ 24 milhões, dos quais pouco mais de US$ 12 milhões foram efetivamente depositados pelo banqueiro, enquanto o restante provém de outros investidores privados.
O senador ressaltou que sua atuação se limitou à busca por recursos e que o projeto é gerido por um fundo privado nos Estados Unidos com mecanismos de conformidade (compliance).
Diante dos desdobramentos, ele informou ter solicitado um balanço financeiro aos responsáveis pela produção.
“Acho muito importante, foi isso que eu pedi agora para a equipe que está nos Estados Unidos, para que houvesse uma prestação de contas por parte da produtora, que é quem executava esse contrato”, afirmou.
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Flávio Bolsonaro assegurou que não há dinheiro público envolvido e que o filme seguirá o cronograma.
“A gente não fez nada de ilegal, o filme vai acontecer”, afirmou.
O senador também refutou paralelos entre o investimento cultural e investigações sobre pagamentos fictícios a outras figuras públicas, argumentando tratar-se de “uma megaprodução hollywoodiana”.
Por fim, o parlamentar rechaçou a suspeita de que seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), tivesse recebido repasses de Daniel Vorcaro.
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Segundo ele, Eduardo Bolsonaro utilizou recursos próprios no início do projeto, há dois anos, para viabilizar a contratação do roteirista.
“Ele não fez gestão de dinheiro. Pelo contrário, foi uma pessoa que colocou dinheiro no bolso dele nesse projeto”, afirmou.
Efeito Flávio Bolsonaro nos mercados
Ao longo da entrevista de Flávio Bolsonaro à CNN Brasil, o Ibovespa acelerou a queda e voltou a ceder mais de 1%, apenas com as ações da Petrobras em alta entre as blue chips, alinhadas ao avanço do petróleo.
Dólar e juros mantiveram o ritmo de alta, influenciados pelo fortalecimento da moeda no exterior e pela abertura da curva dos Treasuries.
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O principal índice da bolsa brasileira acabou fechando o dia em baixa de 0,61%, aos 177.283,83 pontos.
O giro financeiro totalizou R$ 32,2 bilhões, com a alta de 7,5% de Minerva, após balanço financeiro considerado sólido, e o avanço de 2% de Petrobras (PETR3), pelo salto de 3% do petróleo, tentando calibrar as perdas lideradas por Usiminas (-7%), Hapvida (-6%) e Cosan (-5%).
O acúmulo de recuos do Ibovespa ocorre em sintonia com uma retirada de R$ 6,45 bilhões de investidores estrangeiros em maio, com dados até quarta-feira (13).
O conflito no Oriente Médio ainda preocupa do ponto de vista inflacionário, por conta da alta no preço do petróleo — acima de US$ 101 por barril tanto em Londres quanto em Nova York —, com efeito de juro em patamar elevado por mais tempo.
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Soma-se às incertezas os desdobramentos da cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. Apesar de sinalizações de que a relação entre as duas maiores potências do mundo permanecerá estável ao menos até o reencontro dos líderes em setembro, declarações divergentes dos dois lados e impasses relacionados à de Taiwan impedem a normalização das relações bilaterais.
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