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Por que a manteiga francesa é tão diferente (e mais saborosa)?

Há quem viaje à França em busca dos vinhos, dos queijos ou da pâtisserie perfeita. Mas, para muitos turistas e chefs, o verdadeiro luxo francês cabe em um bloco de 125 gramas embrulhado em papel manteiga. A manteiga francesa virou souvenir, obsessão gastronômica e item de desejo nas redes sociais. E basta uma mordida em uma baguete quente para entender o porquê.

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Na França, a manteiga ocupa um lugar central na cultura alimentar do país. Uma jambon-beurre (baguete recheada com manteiga artesanal e presunto) representa para os franceses algo próximo do nosso pão francês com manteiga. Ela aparece no café da manhã, nas padarias, nos bistrôs e em praticamente toda a cozinha francesa.

O país europeu construiu uma reputação mundial quando o assunto é produção láctea. Além dos queijos, vinhos e champagnes, a França domina a arte da manteiga como poucos. O ingrediente atravessa receitas clássicas, viennoiseries, molhos e sobremesas, sempre em quantidades generosas.

Os franceses também lideram o consumo mundial do produto: cada habitante consome, em média, cerca de oito quilos de manteiga por ano — ainda assim, eles preservam a fama de magros. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), França e Nova Zelândia concentram cerca de 70% das exportações globais de manteiga. Só a França exportou aproximadamente 98 mil toneladas em 2024.

Essa excelência aparece também nos rankings gastronômicos. No TasteAtlas, por exemplo, 16 das 100 melhores manteigas do mundo são francesas. Aliás, no ranking está também a brasileira da Laticínios Caraúba, produzida no Rio Grande do Norte.

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Manteiga Bordier foi criada em 1985
Manteiga Bordier foi criada em 1985/ @maisonbordier

O novo souvenir de Paris não vem da Chanel, vem da manteiga

No topo do ranking aparece a Maison Bordier. Fundada em 1985, em Saint-Malo, na Bretanha, a marca transformou manteiga em objeto de desejo. Em Paris, uma placa tradicional de 125 gramas custa cerca de 5,85 euros em empórios de alto padrão. Já sabores especiais, como a versão com trufa, ultrapassam os 16 euros.

Em 2025, a marca saiu do nicho gastronômico e conquistou também as redes sociais. Um vídeo mostrando o processo artesanal de produção viralizou no TikTok e rapidamente transformou a manteiga em souvenir francês. Turistas passaram a enfrentar filas nas lojas para levar alguns blocos na mala.

Outras marca famosas incluem a Beurre d’Isigny (disponível em alguns supermercados no Brasil por R$ 55), originária da Normandia, possui selo de qualidade e é valorizada pelo sabor delicadamente adocicado e pela alta concentração de gordura, resultado dos pastos ricos em minerais da região. Outra referência é a Beurre de Baratte, produzida pelo método tradicional de bateção em barril (“baratte”), que preserva notas mais complexas, levemente ácidas e quase de avelã, características clássicas da manteiga francesa artesanal.

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Manteigas francesas prestigiadas
Manteigas francesas prestigiadas/ Imagem gerada por ChatGPT

O que torna a manteiga francesa superior?

Segundo o chef Vítor Oliveira, responsável pelo curso de Cuisine Plant-Based no Le Cordon Bleu Brasil, o sabor mais marcante da manteiga francesa está diretamente ligado a fatores como a quantidade de gordura e o terroir, conceito muito valorizado na gastronomia francesa. “A alimentação do gado, o clima, a qualidade dos pastos e até as variações de temperatura influenciam diretamente no perfil aromático do leite utilizado na produção da manteiga”, explica.

Leite de qualidade

Segundo a própria Bordier, para fazer uma manteiga excepcional, é preciso começar com um leite excepcional. A maison utiliza leite vindo de pequenas fazendas localizadas a menos de 100 quilômetros da oficina de produção, entre Bretanha, Normandia e Pays de la Loire. As vacas se alimentam majoritariamente de pasto, o que influencia diretamente o sabor, a textura e até a cor da manteiga.

E a manteiga, inclusive, muda constantemente. No inverno, costuma ficar mais pálida e firme. Na primavera, ganha textura mais sedosa, coloração intensa e aromas mais complexos graças ao pasto fresco consumido pelos animais. Por isso, muitos produtores franceses tratam a manteiga como um produto vivo, que reflete as estações do ano quase da mesma forma que o vinho expressa o terroir.

Menos água, mais gordura

A manteiga francesa costuma ter teor de gordura mais alto do que muitas versões industrializadas vendidas em outros países. Enquanto no Brasil a manteiga comum geralmente tem 80% de gordura, a francesa possui entre 82% a 84%. Isso muda tudo, da textura ao desempenho culinário. Na prática, ela derrete melhor, cria massas folhadas mais crocantes, produz molhos mais aveludados e entrega um sabor mais intenso. “Essa combinação faz a manteiga ganhar mais cremosidade, textura mais aveludada e um sabor mais intenso e persistente no paladar”, explica o chef Vítor.

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Selo de qualidade

Os franceses levam a manteiga tão a sério, que muitos produtos possuem certificações AOP (Appellation d’Origine Protégée, ou, Denominação de Origem Protegida, em português), que regulam origem, métodos de fabricação e qualidade de manteigas, vinhos, azeites, queijos e outros alimentos.

Processo artesanal quase ritualístico

Grande parte das manteigas industrializadas passa por processos acelerados e altamente mecanizados. Já as manteigas francesas mais valorizadas preservam métodos artesanais que exigem tempo e precisão. Na Bordier, por exemplo, os produtores sovam a manteiga lentamente em um equipamento tradicional de madeira e o processo leva cerca de 72 horas.

Durante a sovagem, o sal entra aos poucos. Esse detalhe interfere diretamente na textura final, porque a gordura expulsa parte da água retida enquanto é trabalhada. Depois da sovagem, os produtores moldam cada peça manualmente. Eles cortam, modelam e finalizam os blocos com carimbos de madeira, como se assinassem uma obra artesanal.

Como fazer manteiga caseira, ensinado pelo chef Vítor Oliveira

Ingredientes:

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  • 200 g de creme de leite fresco
  • Flor de sal (opcional)

Modo de Preparo:

Coloque o creme de leite fresco na batedeira e bata em velocidade média com o batedor globo. Primeiro, o creme vai atingir o ponto de chantilly. Continue batendo até que a gordura se separe do líquido, formando a manteiga e o leitelho. Quando a manteiga estiver formada, transfira-a para um bowl com água e gelo. Esse processo ajuda a eliminar o restante do leitelho, aumentando a durabilidade da manteiga. Lave e pressione delicadamente a manteiga na água até que o líquido fique limpo. Se desejar, adicione flor de sal e misture bem. Modele no formato desejado e mantenha refrigerada. A manteiga caseira pode ser armazenada na geladeira por alguns dias e também serve como base para versões aromatizadas com ervas, alho ou especiarias.

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