O governo federal lançou um programa bilionário voltado para estimular a compra de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas, mas enquanto esses profissionais sorriem, a Localiza (RENT3) não deve ter ficado nada feliz com a inciativa.
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O programa terá um orçamento de R$ 30 bilhões, com taxa de juros e prazo ainda a serem definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no fim desta semana. A expectativa inicial é de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, com carência de seis meses e parcelamento em até 72 vezes.
Apenas veículos novos de até R$ 150 mil poderão participar do programa, desde que cumpram critérios de sustentabilidade — como motorização flex, híbrida flex, elétrica ou movida exclusivamente a etanol — e sejam produzidos por montadoras habilitadas no programa Mover, que estimula a produção de veículos mais sustentáveis, eficientes e tecnológicos no Brasil.
Os motoristas precisarão estar ativos há pelo menos 12 meses e ter realizado um mínimo de 100 corridas no mesmo aplicativo.
Segundo o Itaú BBA, assumindo financiamento integral do veículo e um preço médio de aquisição de R$ 120 mil, o programa pode destravar vendas de aproximadamente 250 mil carros novos.
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Por que incentivo a carro 0 km seria um problema para a Localiza?
Na visão do banco, no entanto, isso é potencialmente negativo para a empresa por dois motivos.
O primeiro é que o segmento aluguel de carros pode enfrentar ventos contrários na demanda caso motoristas de aplicativo da Localiza migrem do aluguel para a compra.
“Estimamos que esse negócio represente entre 30 mil e 40 mil carros, potencialmente equivalentes a 10% das receitas de aluguel ou 5% das receitas totais de aluguel”, escrevem os analistas em relatório.
O Itaú BBA não é a única instituição a ver que empresas de locação como a Localiza pode passar por maus lençóis. Segundo um relatório do JP Morgan, a operação Zarp, voltada justamente para motoristas de aplicativo dentro da companhia, representa entre 6% e 7% da frota total. A leitura do JP Morgan é que o incentivo do governo pode reduzir a demanda por aluguel de veículos entre motoristas de apps.
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Outro ponto que preocupa o setor é o foco exclusivo em carros zero quilômetro. Isso porque o programa não deve gerar estímulos para o mercado de seminovos — uma das principais fontes de rentabilidade das locadoras.
Segundo o Itaú BBA, ainda é cedo para estimar com precisão o impacto na última linha do balanço. “Mas acreditamos que o anúncio pode manter o consenso de lucro mais próximo da parte inferior da faixa esperada pelos investidores para 2026 (R$ 4,3 bilhões a R$ 4,5 bilhões) e impedir que as expectativas para 2027 avancem além de R$ 5 bilhões”, diz o time e analistas do banco.
Isso implicaria múltiplos de preço sobre lucro (P/L) de 10,5 vezes para 2026 e 9 vezes para 2027. Mesmo assim, o Itaú BBA manteve a recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo entre R$ 40 e R$ 50 por ação.
Isso implica em uma alta de até 19% em relação ao fechamento dos papéis ontem (19).
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Autopeças devem surfar aumento nas vendas
Se as locadoras podem perder espaço, as fabricantes de autopeças aparecem entre as principais beneficiadas pelo programa. O JP Morgan estima que a medida pode impulsionar em cerca de 10% as vendas de veículos leves em 2026, considerando a projeção da Anfavea de 2,6 milhões de unidades vendidas no período.
A expectativa é de que boa parte dessa demanda fique concentrada em modelos eletrificados, como híbridos e elétricos.
Entre as companhias listadas na bolsa, o banco destaca três nomes que devem capturar melhor esse movimento:
- Mah Metal Leve, que tem cerca de 20% da receita ligada às montadoras de veículos leves no Brasil;
- Iochpe-Maxion, com aproximadamente 15% de exposição ao segmento;
- Nemak, em menor escala, com cerca de 3% de exposição.
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