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O Itaú Unibanco (ITUB4) começa 2026 com a missão de sustentar sua principal fortaleza: a previsibilidade. Em busca de um equilíbrio cada vez mais raro no setor financeiro, o maior banco privado do Brasil quer continuar crescendo sem relaxar o controle de risco. “Não houve mudança no apetite. Mas o apetite é dinâmico”, afirmou o CEO, Milton Maluhy Filho.
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Não se trata de pisar no freio, mas tampouco de acelerar no escuro. O objetivo é ajustar o ritmo em tempo real, à medida que o cenário doméstico e global muda.
“O desafio diário é olhar para frente e ajustar a rota”, afirmou o executivo, durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (6). “Temos capacidade de calibrar a concessão todos os dias.”
A estratégia de crédito do Itaú
Na prática, isso significa manter o crescimento, inclusive em ritmo de dois dígitos em segmentos prioritários, mas com uma régua mais fina.
O Itaú segue expandindo, mas de forma seletiva, escolhendo onde, como e para quem emprestar.
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“Aumentar penetração, relacionamento e principalidade é o nome do jogo”, disse o CEO.
RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL
Nesse processo, a segmentação vai além da renda. O foco passa a ser cada vez mais comportamental, apoiado em modelos analíticos que tentam antecipar o momento financeiro de cada cliente ao longo do ciclo de crédito.
“Existem clientes de baixa renda que são alvo — e clientes de renda mais alta que deixam de ser, dependendo do nível de endividamento”, explicou o executivo.
O pano de fundo explica a cautela. Juros elevados, maior comprometimento de renda e famílias mais endividadas já começam a afetar a demanda por crédito. O ambiente global também adiciona uma camada extra de volatilidade, em meio a incertezas geopolíticas.
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“O nível de taxa de juros gera menor demanda pelos clientes”, disse Maluhy. “Observamos aumento de comprometimento de renda e maior endividamento.”
Disciplina como “antídoto” para a inadimplência
A qualidade da carteira segue como principal termômetro do Itaú — e, até aqui, sob controle. Em um trimestre sazonalmente mais pressionado para o crédito, o Itaú conseguiu manter os índices de atrasos estáveis.
“Nenhum portfólio está 100% imune”, reconheceu o CEO. “Mas temos capacidade de reagir rapidamente.”
Questionado sobre a “fórmula”, Maluhy evitou atalhos. “Preferimos crescer de forma sustentável do que acelerar e depois corrigir abruptamente.”
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O CEO não vê, neste momento, uma ruptura no ciclo de crédito. A expectativa é de estabilidade nos próximos trimestres, com oscilações pontuais, especialmente em pequenas e médias empresas (PMEs).
No segmento corporativo, o tom também é de tranquilidade, apesar de episódios isolados de estresse em grandes empresas. “Nosso portfólio já tem provisões adequadas e estamos confortáveis com a qualidade do balanço”, afirmou.
Novo Desenrola: efeito pequeno, mas relevante
A nova rodada do Desenrola também entrou no radar do banco. Segundo o CEO, o impacto tende a ser positivo, embora limitado para o Itaú, dada a menor exposição direta aos públicos atendidos pelo programa.
“É um público que representa uma fatia menor para nós”, afirmou o executivo.
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Ainda assim, o banco vê a iniciativa como relevante para o sistema financeiro como um todo, uma vez que contribui para a reorganização da situação financeira das famílias, com potencial de melhorar a qualidade do crédito no sistema como um todo.
Agronegócio: exposição controlada em meio à turbulência
Em um setor que tem gerado preocupação no setor financeiro, o Itaú reforçou uma posição mais defensiva. Com cerca de 20% de participação de mercado no agronegócio, o banco afirma ter apenas 4% de exposição a casos de recuperação judicial.
“Temos pouca exposição em segmentos mais voláteis ou operamos com garantias fortes”, disse o CEO.
Além de priorizar operações com maior garantia, o banco admite que também evita determinadas geografias ou culturas consideradas mais arriscadas.
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Mercado de capitais perde fôlego
Se o crédito exige mais cautela, o mercado de capitais também não ajuda a aliviar o cenário.
Na avaliação do CEO do Itaú, a retomada observada no fim de 2025 perdeu tração. Para 2026, a expectativa é de queda relevante nos volumes, entre 30% e 40% em relação ao ano anterior.
Com isso, a janela para emissões e ofertas de ações fica mais estreita. Isso tende a alterar a dinâmica de financiamento das empresas e pode redirecionar parte da demanda de volta para o crédito bancário, segundo o executivo.
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