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(Imagem: REUTERS/ Cristina Sille)
Depois de toda a euforia com a privatização, a Sabesp (SBSP3) vem de uma sequência não muito boa na bolsa. Desde as máximas do ano, o papel cai 15%.
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Mas para a XP, isso é mais uma oportunidade de aumentar os lucros do que um risco. Os analistas elevaram o preço-alvo da estatal de R$ 31 para R$ 38, potencial de alta de 27% em relação ao último fechamento.
Para a corretora, a companhia está mais limpa, após uma boa revisão tarifária, redução do risco de crise hídrica em São Paulo e um plano de execução cada vez menos arriscado.
Além da operação da empresa em si, a XP enxerga outro potencial para a companhia: concessões em outros lugares. Em um deles, na Argentina.
Motoserra de Milei
Eleito com um discurso de privatização, Javier Milei deu início a privatização da AySA, Agua y Saneamientos Argentinos, companhia que opera na região de Buenos Aires. O plano envolve a venda de 90% das ações da empresa a operadores privados.
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E nessa história, a Sabesp pode sair ganhando. Segundo a imprensa local, a empresa paulista e a Veolia, multinacional francesa, são vistas como as principais candidatas à levar a concessão.
A Sabesp já confirmou interesse na companhia, mas com ressalvas importantes: qualquer transação teria de ser extremamente acertava desde o início e contar com garantias sólidas de que a remessa de capital para fora do país poderá ocorrer ao longo de toda a vigência da concessão.
Ao todo, a concessão de água e esgoto de Buenos Aires abrange 27 municípios na região metropolitana da capital argentina e cobre cerca de 15 milhões de habitantes, o que a torna o maior contrato de utility de água disponível para venda no mundo.
Além disso, a cobertura de água e esgoto ainda é baixa, o que, na visão da XP, implica um potencial relevante de crescimento, além do óbvio espaço para corte de custos que qualquer privatização traz.
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O novo contrato de concessão estabelece um modelo regulatório prospectivo, que passará a vigorar em 1º de janeiro de 2027.
Vale a pena para Sabesp?
Nos cálculos da XP, a companhia argentina pode valer em torno de US$ 1,8 bilhão, o que equivaleria a 1,1x EV/RAB (valor de mercado total da empresa incluindo dívidas sobre sua base de ativos regulatórios).
A RAB líquida inicial em 2027 será um resultado da estrutura tarifária atual (sob as estimativas, algo próximo de US$ 1,5 bilhão, apesar de um ativo imobilizado contábil de cerca de US$ 10 bilhões).
Com um EBITDA, que mede o resultado operacional, estimado para 2026 de US$ 490 milhões, o múltiplo EV/EBITDA implícito seria próximo de 4,1x.
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“Do ponto de vista estratégico, a AySA é uma concessão única, com potencial de ser uma alocação extremamente acertava assumindo um ambiente macro minimamente estável, e pode se tornar uma plataforma relevante para consolidar um setor ainda fortemente estatal na Argentina”, dizem os analistas.
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