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A Cury (CURY3) está fazendo a festa na bolsa nesta quarta-feira (13), após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026, na noite de ontem (12). A construtora entregou mais um trimestre à altura das expectativas do mercado, o que impulsiona o salto de 5,36% da ações por volta das 14h, com a segunda maior alta do Ibovespa.
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Além disso, sua margem continua elevada, mesmo nos projetos que ainda serão construídos. Para especialistas, isso significa que ela está preparada para o aumento dos custos das matérias-primas causado pela guerra no Oriente Médio e não deve ser tão afetada por essas pressões inflacionárias.
A empresa reportou lucro líquido de R$ 302,9 milhões no período, um avanço de 41,9% em relação ao mesmo período de 2025. A melhora reflete o ciclo de mais lançamentos e vendas de imóveis, com a subida de preços e manutenção de custos sob controle. A junção desses fatores ajudou a impulsionar a receita e diluir as despesas.
O Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) somou R$ 411,4 milhões, aumento de 42,9% na comparação anual. A margem Ebitda, que mede a eficiência operacional do negócio, foi a 25,5%, alta de 1,8 de ponto porcentual (p.p)
Na avaliação dos analistas, o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) elevado, fluxo de caixa livre (FCF) sólido e anúncio de dividendos atrativos foram alguns dos principais destaques positivos da Cury. O BTG Pactual, XP Investimento e Itaú BBA têm recomendação de compra para o papel.
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Resultado melhor do que o esperado
Para o BTG Pactual, a Cury reportou um balanço sólido no 1T26, com forte expansão do demonstrativo de resultados na base anual, ROE de 79,5%, um avanço de 12% ante o mesmo período de 2025, e lucro por ação (EPS) acima das estimativas do banco e do consenso do mercado.
DISPUTA PELO CAPITAL GLOBAL
O EPS alcançou R$ 0,98, um avanço anual de 33% e 7% acima da projeção do BTG. Isso, segundo o banco, devido a uma receita ligeiramente maior e despesas administrativas e comerciais (SG&A) abaixo do esperado.
Além disso, o banco considera a geração de fluxo de caixa livre sólida, de R$ 91 milhões, impulsionada por maiores cessões de recebíveis para bancos. Consequentemente, a construtora manteve seu balanço patrimonial robusto e encerrou o trimestre com posição líquida de caixa de R$ 407 milhões.
O BTG menciona também que a margem do backlog, ou seja, todos os contratos assinados mas ainda sem obras iniciadas, permaneceu elevada. A Cury precisou ajustar os custos de construção ainda a incorrer em alguns projetos, em função das pressões inflacionárias, mas a rentabilidade dos projetos futuros se manteve alta.
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E a construtora também está bem preparada para a guerra
Na avaliação do Itaú BBA, a Cury reportou resultados sólidos no 1T26, com o EPS ficando 8% acima das suas estimativas, impulsionado por fortes vendas e reconhecimento de receita, além de despesas comerciais abaixo do esperado. O banco cita ainda o fluxo de caixa livre (FCF) também acima das projeções.
Para o time de análise, no entanto, o mais importante é que a margem bruta — que mostra quanto sobra da receita depois que a empresa paga os custos diretamente ligados à produção ou prestação do serviço. — recuou 130 pontos-base trimestre contra trimestre, para 39,0%.
Isso já reflete premissas mais elevadas de inflação de custos de construção incorporadas aos orçamentos dos projetos. Isso porque o setor tem sido assombrado com possíveis reverberações da guerra no Irã nos custos de produção, como consequência da alta nos preços do petróleo.
Ainda assim, a margem do backlog, uma estimativa da rentabilidade futura dos contratos e vendas já fechados pela empresa, caiu apenas 40 pontos-base na comparação trimestral, permanecendo em sólidos 42,9%, destaca o banco.
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Segundo o BBA, embora a magnitude da inflação dos custos de construção em 2026 permaneça altamente incerta especialmente se o conflito persistir por mais tempo, a resiliência das margens do backlog é encorajadora, dado o cenário já desafiador.
“Apesar de a Cury continuar entre as construtoras de baixa renda mais expostas a esse ciclo de custos, acreditamos que sua execução de primeira linha deve continuar sustentando vendas resilientes e aumentos de preços capazes de compensar parte da pressão sobre margens”, considera o BBA.
Além disso, o banco de investimentos menciona que o valuation continua atrativo demais para ser ignorado, com múltiplos de preço sobre lucro justados estimados de 7,7 vezes e 5,5 vezes para 2026 e 2027, respectivamente.
O BBA mantém preço-alvo de R$ 38, o que implica um potencial de valorização de 43% ante o último fechamento.
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Cury segue como top pick
A XP Investimentos considerou que o balanço da Cury superou as expectativas já elevadas da corretora, em especial pelo forte crescimento de receita e resiliência da margem bruta, expansão e margens de projetos futuros sustentáveis e controle de despesas melhor que o esperado.
“Em conjunto, isso continua impulsionando níveis significativamente atrativos de ROE para a companhia, que atingiu 79,5% (+12 p.p.), destacando-se entre os pares do setor e justificando um valuation com prêmio”, afirma a corretora.
A XP também destaca a forte geração de caixa, que permitiu a distribuição de R$ 160 milhões em dividendos, o que foi considerado muito atrativo pelos analistas Ygor Altero e João Rodrigues. Assim, a corretora mantém a Cury como top pick do setor.
A companhia ainda anunciou a distribuição de R$ 160 milhões em dividendos, a serem pagos em 28 de maio, com as ações passarão a ser negociadas “ex-dividendos” a partir de 18 de maio. No ano, a Cury acumula R$ 300 milhões em dividendos anunciados em 2026.
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“Assim, esperamos uma reação positiva do mercado aos resultados do 1T, já que os investidores pareciam excessivamente pessimistas quanto aos potenciais impactos dos custos de construção sobre as margens da Cury”, afirma o BTG.
O banco reitera a recomendação de compra pela performance muito boa do segmento do Minha Casa Minha Vida; execução impecável da construtora; e ação negociada a um múltiplo atrativo de cerca de 7 vezes o múltiplo de preço e lucro (P/L) projetado para 2026.
O BTG tem preço-alvo de R$ 44 para CURY3, o que implica um potencial de valorização de 44,7% em relação ao fechamento anterior (12).
Com Money Times
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