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Crise do varejo no 1T26 reflete problema estrutural, diz BTG, mas ainda há empresas que se salvam

Os resultados do varejo brasileiro vieram mais fracos no primeiro trimestre de 2026, segundo o BTG Pactual. A explicação central do banco é que o consumidor brasileiro perdeu capacidade de compra, impulsionada por três fatores: juros muito altos, famílias endividadas e inflação acumulada dos últimos anos.

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O relatório afirma que o problema atual deixou de ser apenas conjuntural e passou a refletir uma deterioração estrutural da capacidade de consumo das famílias brasileiras.

Segundo o relatório, categorias consideradas defensivas continuam apresentando desempenho mais resiliente, enquanto segmentos ligados ao consumo discricionário seguem pressionados por demanda mais fraca, promoções mais intensas e baixa alavancagem operacional.

Raia Drogasil é um dos destaques positivos no varejo

Entre os destaques positivos do trimestre, o banco cita a Raia Drogasil (RADL3), que voltou a apresentar forte crescimento de vendas e ganho de participação de mercado.

A companhia registrou crescimento de 14,3% nas vendas mesmas lojas, além de expansão de margens e forte geração de caixa. O BTG destacou ainda a continuidade do crescimento das categorias de genéricos, OTC e medicamentos GLP-1.

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A Smart Fit (SMFT3) também foi apontada como uma das principais vencedoras do trimestre. O banco destacou o crescimento resiliente da receita, EBITDA acima das expectativas e avanço estratégico do TotalPass, que segue ampliando participação dentro do ecossistema da companhia.

Outra empresa elogiada foi a Track&Field (TFCO4), que manteve crescimento consistente de vendas e rentabilidade saudável, sustentada pelo modelo de expansão via franquias e atuação no segmento premium.

Varejo alimentar em dificuldades

No varejo alimentar, porém, o cenário permaneceu mais fraco. O relatório aponta que empresas do setor foram impactadas por um ambiente deflacionário em categorias básicas como arroz, leite, açúcar e feijão, o que reduziu o crescimento nominal das vendas.

O Assaí (ASAI3) registrou queda de 0,9% nas vendas mesmas lojas, mesmo com volumes relativamente estáveis. Já o Grupo Mateus (GMAT3) apresentou crescimento de vendas de 12,9%, impulsionado pela aquisição do Novo Atacarejo, mas teve margem EBITDA abaixo das expectativas do banco.

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Moda e acessórios

No segmento de vestuário, os resultados foram mistos. A Lojas Renner (LREN3) foi destaque positivo após apresentar expansão de margem bruta e melhora na gestão de estoques.

Por outro lado, a Vivara (VIVA3) apresentou resultados considerados mistos. Apesar do crescimento robusto da receita e da expansão da margem bruta, o BTG apontou aumento relevante das despesas comerciais e sinais iniciais de resistência do consumidor aos reajustes de preços na linha Life.

Para o BTG, o desempenho do varejo brasileiro continuará altamente dependente da trajetória dos juros reais, da melhora das condições de crédito e da redução do endividamento das famílias.

O banco afirma manter preferência por empresas com crescimento estrutural e execução consistente, especialmente nos segmentos de farmácias, fitness e marcas premium, enquanto segue mais cauteloso em relação a empresas mais cíclicas e alavancadas.

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