A tentativa da Gafisa (GFSA3) de reforçar sua estrutura de capital acabou escancarando uma verdadeira falta de apetite dos investidores. A construtora abriu um novo aumento de capital com emissão de novas ações aos acionistas, mas encontrou adesão mínima — deixando pelo caminho uma montanha de papéis sem comprador.
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O resultado do aumento de capital, encerrado em 26 de maio, mostrou que a maior parte dos investidores preferiu não acompanhar a operação, mesmo diante do risco de diluição.
Dos mais de 168 milhões de ações colocados à disposição no exercício do direito de preferência, apenas cerca de 6,9 milhões foram efetivamente subscritas. Na prática, isso significa que 95,87% da oferta ficou sem demanda inicial.
Ao preço de R$ 1,48 por ação, a companhia levantou pouco mais de R$ 10,3 milhões até agora — um valor considerado modesto diante da dimensão da operação originalmente desenhada pela administração.
Enquanto isso, um bloco de 161,9 milhões de ações permaneceu sem comprador, entrando agora na etapa de subscrição de sobras.
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Gafisa (GFSA3) sob pressão
O resultado do aumento de capital da Gafisa joga luz sobre o momento delicado vivido pela companhia na bolsa, que acumula desvalorização de quase 80% em 2026.
Nos bastidores do mercado, a baixa adesão foi interpretada como um termômetro da cautela — ou da falta de apetite — dos investidores em relação à tese da construtora neste momento.
Embora o conselho tenha aprovado o aumento de capital ainda em abril, o comportamento dos acionistas sinaliza que o preço da oferta e as perspectivas da companhia não foram suficientes para mobilizar a base minoritária.
Para muitos investidores, colocar mais dinheiro na operação significaria ampliar exposição justamente em um momento de forte deterioração das ações da empresa na bolsa.
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A fase das “sobras”: quem ficou pode aumentar posição
Agora, a companhia tenta redistribuir o enorme volume de ações que ficou pelo caminho.
A Gafisa abriu oficialmente o período de subscrição de sobras, em uma espécie de repescagem destinada aos acionistas que participaram da etapa inicial.
Na segunda rodada, cada investidor que exerceu seu direito de preferência poderá subscrever até 2.327 novas ações para cada papel adquirido anteriormente na oferta.
Na prática, o mecanismo acaba favorecendo justamente os poucos acionistas que ainda demonstraram disposição de acompanhar a capitalização da companhia.
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Segundo comunicado enviado ao mercado, o período para manifestação de interesse nas sobras vai de 29 de maio até 5 de junho.
Injeção de capital vai acontecer mesmo assim
Apesar da adesão extremamente baixa na primeira etapa, a Gafisa informou que o aumento de capital seguirá normalmente.
A companhia afirmou que a quantidade mínima de ações necessária para homologação da operação foi atingida, o que garante a continuidade do processo mesmo sem uma captação próxima da originalmente pretendida.
O destino das ações que eventualmente continuarem sem compradores também já foi definido.
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Segundo a companhia, os papéis remanescentes não serão levados a leilão em bolsa. Em vez disso, serão simplesmente cancelados.
“Eventuais ações não subscritas (…) não serão objeto de venda em bolsa de valores (…) e, portanto, serão canceladas”, afirmou a Gafisa no aviso aos acionistas.
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