Sete meses se passaram desde que rumores de que a Estrela Verde do Guia Michelin estaria se apagando. Agora, a organização do premiação confirmou: o reconhecimento de sustentabilidade será descontinuado.
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A afirmação veio no início desta semana, em um pronunciamento oficial publicado no site do Guia Michelin. No texto, a organização apresenta uma nova iniciativa, chamada Mindful Voices. Com ela, o guia pretende destacar propostas inovadoras nos universos da gastronomia, da hospitalidade e do vinho. Simultaneamente, no entanto, a distribuição da Estrela Verde será interrompida.

Um “desaparecimento silencioso”
Criada em 2020, a Estrela Verde foi implementada para indicar lugares que adotam práticas sustentáveis relevantes e inovadoras. Desde 2021, a iniciativa premiou mais de 500 restaurantes, incluindo os brasileiros A Casa do Porco, Tuju e Corrutela. Conhecidos por suas iniciativas ambientalmente conscientes, os brasileiros falaram sobre as mudanças abaixo.
No entanto, uma série de movimentos no último semestre chamou a atenção de observadores. Um deles, o jornalista especializado Nicholas Gill (The New York Times, Food & Wine), publicou em seu Substack um texto apontando para o que chamou de um “desaparecimento silencioso” do selo das plataformas do Guia Michelin, bem como em algumas cerimônias do período.
Àquela altura, no entanto, a organização da premiação negou o desligamento. “A Estrela Verde continua existindo: é um reconhecimento complementar às distinções culinárias (Estrelas Vermelhas)”, declarou o guia em nota ao Seu Dinheiro. Sem mencionar a Estrela Verde, o posicionamento destacou que as plataformas do prêmio estavam sendo atualizadas e que logo voltariam a destacar “iniciativas para uma gastronomia do futuro”.
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De fato, a plataforma Mindful Voices parece de acordo com o olhar a iniciativas para o futuro. Mais que isso, o movimento amplia o olhar da distinção para além do universo gastronômico, contemplando também a indústria hoteleira e o universo do vinho. Cabe lembrar que ainda em 2025 o Guia Michelin anunciou novas iniciativas nas duas áreas, com o reconhecimento das Chaves Michelin e das Uvas Michelin.
Agora, com o projeto Mindful Voices, a ideia é condecorar os realizadores que estejam “reescrevendo as regras em suas respectivas áreas”, de acordo com o diretor internacional do guia, o francês Gwendal Poullennec.
“Este novo modelo deriva diretamente do que nossos times de inspetores presenciam em primeira mão: encontros e experiências que estão transformando o modo de fazer as coisas, e merecem ser revelados.”
Restaurantes brasileiros se pronunciam
Procurados pelo Seu Dinheiro, os brasileiros donos de Estrelas Verdes reagiram com otimismo à mudança na estrutura do guia.
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Para Renato Mello, o chef do Corrutela, a ampliação do olhar do guia para os universos do vinho e da hospitalidade seria positiva: “Vejo essa mudança como uma evolução, e não como uma descontinuação da Estrela Verde”, diz
Dono de uma Estrela Verde por iniciativas como o monitoramento da procedência das carnes e peixes servidos no espaço, além da instalação de compostagem, do uso de energia solar e de outras propostas, o Corrutela segue, de acordo com Mello, na busca por comida de excelência, a preços justos e fiéis aos valores do restaurante, “independentemente de selos ou reconhecimentos”.
Já o Tuju, reconhecido em 2026 com a distinção máxima de três Estrelas Vermelhas, é também dono de uma Estrela Verde por avançar sobre a pesquisa de práticas de compostagem e otimização energética. Além disso, o espaço ainda dá visibilidade a produtores com manejo ético e sustentável.
Katherina Cordás, sócia e diretora de pesquisa e hospitalidade do Tuju, reconhece a validade trazida pela distinção socioambiental: “A Estrela Verde é o reconhecimento de um tema importante e muito atual”, diz. “Mas a nova plataforma democratiza e abre mais espaço para reconhecimento de pessoas, rostos, nomes, profissionais e não só restaurantes.”
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De olho no futuro
O início oficial do projeto projeto Mindful Voices está programado para ocorrer na cerimônia de revelação do Guia Michelin para os Países Nórdicos, que ocorre no próximo dia 1º de junho em Copenhague, na Dinamarca.
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