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La Braciera: como uma pizzaria comprada por R$ 90 mil se tornou um negócio que projeta faturar R$ 75 milhões

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Com 11 unidades, cerca de 45 mil pizzas vendidas por mês e presença em rankings internacionais, a La Braciera se transformou em uma das redes de pizza napolitana que mais crescem no país — tudo isso poucos anos depois de assumir uma pizzaria praticamente parada na cidade de São Paulo.

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A empresa criada por quatro empreendedores descendentes de italianos fechou 2025 com faturamento na casa de R$ 53 milhões e projeta alcançar R$ 75 milhões em 2026. Hoje, a rede opera exclusivamente com lojas próprias e prepara uma nova fase de expansão para o interior paulista e outros estados brasileiros.

Por trás da marca está Daniel Lucco, CEO do grupo La Braciera, que já vinha do setor de alimentação antes de entrar no mercado de pizzarias.

Ao lado do sócio Gustavo Brunello, ele fundou em 2015 a Lucco Fit, startup de alimentação saudável congelada vendida pela internet. O negócio começou de forma improvisada, com produção feita na cozinha de casa, mas ganhou escala rapidamente e foi vendido em 2019 para a multinacional brasileira Sapore por R$ 11 milhões.

A experiência acabou servindo como uma espécie de laboratório para o modelo de gestão que seria aplicado mais tarde na La Braciera.

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“Foi uma escola gigantesca. Tivemos que profissionalizar tudo muito rápido para atender ao padrão de uma multinacional”, afirma Lucco em entrevista ao Seu Dinheiro.

La Braciera: a oportunidade em uma pizzaria estagnada

Depois da venda da startup, Lucco voltou a olhar para um mercado que já fazia parte da história da família. Segundo ele, os parentes atuam há mais de quatro décadas no setor de pizzarias e restaurantes.

Foi em 2021 que surgiu a oportunidade que deu origem à La Braciera. O grupo encontrou uma pizzaria tradicional em Higienópolis, na capital paulista, à venda por cerca de R$ 90 mil — valor que, segundo o CEO, era inferior ao custo dos equipamentos e mobiliário da casa.

Apesar do histórico de quase duas décadas de funcionamento, a operação estava estagnada. “O problema era o comodismo do antigo dono, e é algo que acontece muito no setor de restaurante. A pizzaria não aceitava cartão de crédito tinha presença limitada no delivery. O antigo proprietário não participava da operação havia mais de dois anos”, diz Lucco.

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A proposta dos sócios era reformular completamente a operação e apostar na pizza napolitana, estilo tradicional italiano reconhecido pela UNESCO como patrimônio cultural. Com massa de longa fermentação e alta hidratação, o produto rapidamente chamou atenção do público e ajudou a impulsionar o crescimento inicial da marca.

Pouco depois da aquisição, outros dois sócios se juntaram ao projeto: Marcos Paulo e Guilherme Paim. O quarteto passou então a estruturar a empresa com uma lógica mais próxima de startups do que de restaurantes tradicionais, com expansão rápida, controle operacional e forte investimento em marca.

A primeira unidade em Higienópolis funcionou como um laboratório para testar formatos de operação, campanhas de marketing e novos produtos. Cinco meses depois, a empresa abriu uma unidade focada em delivery no Tatuapé. Pouco tempo depois, inaugurou um salão em Santana.

Em 2022, veio a abertura da unidade dos Jardins, considerada a maior da rede até então, além de outra operação de delivery na Vila Mariana. Já em 2023, a unidade do Tatuapé ganhou salão próprio, enquanto o Morumbi entrou na rota de expansão em 2024.

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Segundo Lucco, a centralização da produção desde o início, criando uma cozinha central para ganhar escala e padronização, acelerou o crescimento. O modelo também ajudou a reduzir custos e acelerar a abertura de novas unidades.

Outro indicador tratado como prioridade é o tempo de retorno dos investimentos. “O payback das lojas fica abaixo de dez meses, permitindo que a expansão aconteça majoritariamente com capital próprio”, diz o empreendedor.

A empresa também decidiu manter todas as unidades sob gestão própria, sem entrar no modelo de franquias, considerando que o negócio é sustentável sem investimento externo.

Marketing virou peça central da estratégia

A La Braciera apostou fortemente na construção de marca para se diferenciar em um mercado cada vez mais competitivo.

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A empresa investiu em campanhas com influenciadores digitais, ações nas redes sociais e eventos próprios para transformar as unidades em pontos de experiência, e não apenas restaurantes.

Entre as iniciativas promovidas pela marca estão eventos temáticos como o “Pizza Day Run” e festas com DJs internacionais ligados ao festival Tomorrowland.

A estratégia ajudou a ampliar a presença digital da empresa e atrair um público mais jovem, enquanto o delivery se consolidava como uma importante frente de crescimento.

Lucco afirma que a La Braciera se tornou um “destino final” para os clientes. Ele explica que, antigamente, as pessoas passavam de carro e decidiam ir a um restaurante que estivesse em uma rua estratégica. No entanto, hoje, a principal “rua” ou “avenida” da La Braciera são as mídias sociais.

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Ele menciona que é comum receber pessoas de fora de São Paulo, e até de outros estados, que vêm especificamente para ir à La Braciera. Essa percepção de ser um destino final deu à empresa o potencial de não precisar se preocupar tanto em estar no “bairro perfeito”, mas sim em fazer um bom trabalho de comunicação e qualidade.

A empresa reforçou o posicionamento premium da marca, com foco em ingredientes importados e produção artesanal. Segundo Lucco, itens como farinha e molho de tomate vêm diretamente da Itália.

“Qualidade é inegociável. O cliente pode ir uma vez por curiosidade, mas só volta se o produto for realmente bom”, afirma.

Socios Gustavo Brunello Marcos Paulo Daniel Lucco e Guilherme Paim
Sócios da La Braciera: Gustavo Brunello, Marcos Paulo, Daniel Lucco e Guilherme Paim – Foto: Divulgação/@neuton.fotografia

A experiência também tem que ser presencial

Lucco descreve o salão da pizzaria como “live marketing”. Ele explica que a experiência no salão, onde o cliente sente o cheiro e a atmosfera da La Braciera, é fundamental para o negócio — inclusive para escalar o delivery. Cada unidade tem suas próprias características.

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A casa de Higienópolis, por exemplo, é centenária e possui tijolinho aparente. Já a unidade do Morumbi é arborizada, com três árvores Pau-Brasil e um deck.

“Tratamos cada unidade com a particularidade do bairro, mas os elementos visuais como as cores da marca, o forno aparente, o bar à vista do cliente, os neons com frases específicas e a coloração são parecidos”, diz o empreendedor.

As decorações de mesa, cadeira e o uso de mármore também contribuem para essa identidade visual.

Reconhecimento internacional

O crescimento acelerado da rede também chamou atenção fora do Brasil.

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A La Braciera passou a figurar em rankings internacionais especializados em pizza napolitana e ganhou projeção global nos últimos anos. Em 2024, a empresa foi eleita a 35ª melhor rede de pizzarias do mundo pelo ranking internacional 50 Top Pizza. No ano anterior, havia ocupado a 19ª posição.

Além disso, a marca recebeu duas vezes o selo Travellers’ Choice, concedido pela plataforma Tripadvisor

Próximos passos: interior de São Paulo e expansão nacional

Agora, a empresa prepara uma nova etapa de crescimento. Nos próximos 12 meses, a prioridade será avançar pelo interior paulista, mirando cidades com mais de 300 mil habitantes.

Campinas, onde a marca inaugurou uma unidade em março de 2023, é vista pelos sócios como uma espécie de teste para essa expansão fora da capital.

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A partir de 2027, a expectativa é iniciar a entrada em outros estados brasileiros.

Paralelamente, a companhia também trabalha em um projeto de formação interna para profissionalizar ainda mais as equipes. A ideia é criar uma escola própria voltada ao treinamento de colaboradores e padronização operacional.

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