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Dizem que a primeira impressão é a que fica. Dois dias após tocar a campainha da B3 em uma oferta pública de ações (IPO) que encerrou um jejum de quase cinco anos na bolsa brasileira, a Compass (PASS3) mostrou o que acumulou de energia nos primeiros três meses do ano.
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O balanço divulgado nesta quarta-feira (13) é um cartão de visitas retroativo. Os números ainda não refletem o fôlego financeiro da abertura de capital da Compass, mas entregam o diagnóstico da empresa que os investidores acabaram de colocar na carteira.
E o diagnóstico é de uma operação que, embora robusta, está sentindo o peso dos juros altos.
Compass: lucro apareceu, mas a receita encolheu
A Compass reportou um lucro líquido de R$ 382,2 milhões no primeiro trimestre de 2026, um avanço de 9% na comparação anual.
Se olharmos para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) normalizado — que ajusta os efeitos temporais de entrega de carga —, a alta foi de 12% ano a ano, somando R$ 1,2 bilhão.
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O gás desse resultado veio principalmente da Edge, com maior volume no on-grid e o início das operações de GNL B2B off-grid. Ou seja: a tese de crescimento que a Cosan vendeu no roadshow está mostrando serviço no operacional.
Por outro lado, a receita líquida deu um mergulho de 25% em termos anuais, totalizando R$ 3,16 bilhões entre janeiro e março.
A queda acentuada acende um sinal amarelo, mas é no resultado financeiro que mora o principal vilão do trimestre: um prejuízo de R$ 424,6 milhões, 15% maior que no ano passado.
O culpado? O custo da dívida, alimentado por um cenário de juros que insiste em não dar trégua.
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A sombra da dívida e o efeito Cosan
Com uma dívida líquida de R$ 11,1 bilhões e uma alavancagem de 2,2 vezes, a Compass chegou à bolsa com uma estrutura de capital que demanda atenção.
Vale lembrar que o IPO de R$ 3,2 bilhões foi 100% secundário. Na prática, o dinheiro não entrou no caixa da Compass para investir em novos gasodutos — foi direto para o bolso dos principais acionistas, entre eles, a Cosan, que está em uma cruzada para desalavancar seu próprio balanço.
Para o investidor que comprou a ação PASS3 a R$ 28,00 no IPO e viu o papel fechar o primeiro dia a R$ 27,39, o balanço do primeiro trimestre de 2026 funciona como um teste de paciência.
A estreia na segunda-feira (11) foi batizada por uma onda de aversão ao risco que contaminou o papel, mas os fundamentos operacionais dos primeiros três meses do ano sugerem que a empresa continua entregando crescimento de margem.
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Nesta quarta-feira (13), PASS3 encerrou o dia cotada a R$ 26,74, uma alta de 0,15%.
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