Continua após a publicidade
A cena parece um déjà vu diplomático, mas o roteiro ganhou tons de suspense dignos de um thriller geopolítico. Na próxima quarta-feira (13), se as tensões no Oriente Médio não forçarem um novo cancelamento, Donald Trump desembarcará em Pequim para um encontro com Xi Jinping.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Se acontecer como o previsto, será a primeira vez que um presidente norte-americano pisa em solo chinês em quase uma década. Ironicamente, o último a fazer o mesmo caminho foi o próprio Trump, em 2017, naquela que ficou conhecida como uma visita de estado plus, com direito a ópera e tour privado pela Cidade Proibida.
Nove anos depois, a pompa permanece no horizonte, mas o solo sob os pés dos líderes está rachado por guerras comerciais, uma pandemia e, mais recentemente, o conflito no Irã.
O que está em jogo em Pequim não é apenas uma foto apertando as mãos, mas o equilíbrio da economia global.
O peso da trégua e o clube dos CEOs
O caminho até aqui foi pavimentado em Busan, em outubro de 2025, quando ambos os países concordaram com uma trégua temporária.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Trump, que chegou a impor tarifas de 145% sobre produtos chineses, descobriu que Pequim tinha armas de retaliação à altura: o bloqueio das exportações de terras raras, minerais essenciais para a tecnologia militar e industrial dos EUA.
Para o investidor, o sinal mais claro de que o pragmatismo pode vencer a ideologia é a comitiva que acompanha o republicano. Trump não viaja sozinho; ele leva consigo o PIB (Produto Interno Bruto) corporativo norte-americano.
Na visita a Pequim, estão confirmadas as presenças de Kelly Ortberg, da Boeing, que coloca para jogo um contrato histórico de 500 jatos 737 Max. Além dele, Jane Fraser, do Citigroup, representará o setor financeiro dos EUA.
Executivos da Nvidia, Apple e Exxon, buscando garantias de mercado e suprimentos, também farão parte da comitiva de Trump e Pequim.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A China, por sua vez, quer estender a trégua e evitar que o embargo tecnológico dos EUA paralise seu crescimento, oferecendo em troca investimentos robustos e a retomada das compras agrícolas, como a meta de 25 milhões de toneladas de soja por ano.
O fator Irã e a fragilidade de Trump
Diferente de 2017, Trump chega a Pequim em uma posição de vulnerabilidade. Com uma desaprovação interna recorde de 62% e atolado na crise do Irã — que fechou o Estreito de Ormuz e ameaça o fluxo de petróleo —, o presidente norte-americano precisa de vitórias rápidas antes das eleições de meio de mandato em novembro.
A China, maior compradora de petróleo iraniano, tornou-se peça-chave para resolver o conflito que os próprios EUA iniciaram.
Washington agora se vê na posição irônica de pedir ajuda diplomática ao seu maior concorrente para pacificar Teerã e estabilizar os preços da energia.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O plano de Trump deu errado? Irã, tarifas e o impacto no Brasil
Taiwan: a concessão silenciosa?
Se na economia o clima é de negociação, na geopolítica o gelo é fino. Taiwan continua sendo o “maior risco”, segundo o ministro Wang Yi.
No entanto, observadores notam uma mudança de postura em Trump. Ele tem sinalizado que vê a ilha mais como uma concorrente econômica no setor de semicondutores do que como um aliado democrático.
O fato de um pacote de US$ 11 bilhões em armas para Taiwan ter sido retido pelo Departamento de Estado norte-americano antes da viagem sugere que Trump pode estar disposto a negociar pontos que antes eram intocáveis.
Por que isso importa para você?
Juntos, Trump e Xi controlam mais de 40% da atividade econômica mundial. O sucesso ou o fracasso dessas 48 horas em Pequim definirá entre outros pontos, o acesso a minerais críticos para a indústria tech; a inflação global, com a estabilidade no Estreito de Ormuz e as tarifas comerciais sobre a mesa; e a corrida pela inteligência artificial (IA).
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Como notam analistas do Brookings Institution, o paradoxo é real: se a reunião for positiva demais, o mercado pode interpretar que Trump fez concessões excessivas para salvar sua popularidade interna. Já em Pequim, a linha entre a diplomacia e a rendição estratégica nunca foi tão tênue.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Acesso todas as Notícias
Continua após a publicidade