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O ‘efeito Itaú’: o que fez um bom balanço virar gatilho de queda para as ações ITUB4 no 1T26

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Itaú Unibanco (ITUB4) fez o que costuma fazer: entregou mais um resultado sólido e em linha com as expectativas. O problema é que, desta vez, isso não foi suficiente para animar o mercado. 

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As ações do banco abriram o pregão desta quarta-feira (6) no vermelho e chegaram a cair 1,5% após a divulgação do resultado do primeiro trimestre de 2026, mesmo com lucro levemente acima das projeções e rentabilidade elevada.  

Por volta das 11h50, ITUB4 recuava 0,89%, cotado a R$ 42,08 na bolsa. Desde o início do ano, porém, a performance ainda é positiva, com valorização de 8,17% no período. Em 12 meses, os papéis acumulam alta de 32% na B3. 

Para analistas, a reação negativa nesta sessão é um reflexo direto da elevada exigência dos investidores: quando se trata de Itaú, entregar somente o esperado raramente basta. 

“A turma sempre espera mais do banco. Resultado em linha, para o Itaú, nunca é positivo”, resume um analista de ações ouvido pelo Seu Dinheiro

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Para ele, o ponto de frustração esteve no lucro antes de impostos (EBT), que veio em linha, mas pressionado por receitas com tarifas (fees) mais fracas, enquanto a qualidade dos ativos — bastante sólida — não trouxe surpresas que justificassem uma reprecificação do papel. 

RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL

Veja os principais indicadores do Itaú (ITUB4) no 1T26: 

IndicadorResultado 1T26ProjeçõesVariação (a/a)Evolução (t/t)
Lucro líquido  R$ 12,282 bilhões  R$ 12,191 bilhões + 10,4% -0,3% 
ROAE  24,8%  24,4%  +2,3 p.p.  -0,4 p.p  
Margem financeira  R$ 32,3 bilhões —  +4%  0%  
Carteira de crédito ampliada  R$ 1,482 trilhão —  +9%  +1,2%  
Fonte: Balanço enviado à CVM, consenso Bloomberg e média de projeções compiladas pelo Seu Dinheiro.   

Apesar da reação negativa das ações no mercado hoje, a leitura dos analistas sobre o balanço do Itaú no 1T26 foi majoritariamente positiva. 

Para o mercado, trata-se menos de uma discussão sobre a solidez do resultado — que segue incontestada — e mais um debate sobre o que, afinal, pode destravar uma nova rodada de valorização para o papel. 

Qualidade da carteira vira o grande diferencial 

Se há um tema que domina a leitura dos analistas neste início de 2026, é a preocupação com a qualidade do crédito no sistema financeiro. E, nesse contexto, o Itaú aparece em posição de liderança. 

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Na avaliação do BTG Pactual, a temporada de resultados do 1T26 deixou claro quem está melhor posicionado nesse quesito. 

“Se a qualidade de ativos for o principal driver de fluxo para o setor, então o Itaú se destaca como o vencedor claro”, afirmam os analistas. 

Mesmo com o lucro levemente pressionado por fatores pontuais — como o pagamento antecipado de dividendos e a sazonalidade do trimestre —, o BTG avalia que o banco entregou um conjunto de resultados considerado “bastante saudável”, com destaque para a estabilidade da inadimplência. 

Esse ponto ganha ainda mais relevância diante do cenário macroeconômico, em que juros elevados e maior endividamento das famílias tendem a pressionar o crédito. 

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Portfólio mais protegido e seletivo 

Parte dessa resiliência de portfólio vem da forma como o Itaú construiu sua carteira ao longo dos últimos anos. 

Segundo o próprio banco, cerca de 56% da carteira de pessoas físicas é colateralizada, ou seja, conta com algum tipo de garantia — um fator que ajuda a mitigar perdas em momentos de estresse. 

Além disso, o Itaú vem apresentando níveis de inadimplência mais baixos do que o setor em diferentes linhas relevantes, como crédito pessoal, cartões, financiamento de veículos e consignado privado. 

Em apresentação ao mercado, o Itaú inclusive deu mais detalhes da performance da qualidade do portfólio frente aos pares. Confira: 

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Na leitura do BTG, esse conjunto de fatores indica um perfil de clientes estruturalmente menos arriscado.  

“Acreditamos que isso demonstra que a carteira de varejo do Itaú está melhor posicionada para absorver uma eventual deterioração do crédito ao consumidor no Brasil e que o Itaú tem sido bem-sucedido na seleção de clientes de menor risco”,afirmam os analistas. 

O JP Morgan avalia que o balanço não trouxe grandes surpresas, mas destaca a boa qualidade dos resultados como um fator que sustenta a visão positiva para o papel. 

Já o UBS BB aponta que a expansão da carteira de crédito “decepcionou um pouco”, mas vê a qualidade dos ativos como uma surpresa positiva no trimestre. 

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Ainda assim, os analistas do banco suíço avaliam que o conjunto de números, por si só, não deve ser um gatilho relevante para o desempenho das ações no curto prazo. 

“Não vemos esse conjunto de resultados como um driver relevante para o desempenho das ações no curto prazo”, afirmam os analistas, citando também um potencial de valorização mais limitado diante dos níveis atuais de valuation

Apesar de leituras mais cautelosas no curto prazo, o consenso ainda pende para o lado positivo quando o assunto é o Itaú (ITUB4). 

A XP Investimentos, por exemplo, mantém o Itaú como sua aposta favorita no setor financeiro. Mesmo após a valorização recente das ações, a corretora ainda vê um potencial de alta de cerca de 20% para ITUB4. 

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A tese passa justamente pela combinação que o banco tem conseguido entregar: crescimento consistente, disciplina de crédito e execução resiliente, mesmo em um ambiente macro mais apertado. 

O BTG Pactual segue na mesma linha. Mesmo sem enxergar grandes catalisadores no curto prazo, o banco seguiu com recomendação de compra para ITUB4. 

“Continuamos a ver o Itaú como o principal banco incumbente no Brasil e acreditamos que a diferença em relação aos pares deve aumentar ao longo do tempo”, dizem os analistas. 

Enquanto isso, o UBS BB adota uma postura mais conservadora. Para os analistas, a janela de valorização parece mais estreita neste momento, o que sustenta a recomendação neutra para o papel. 

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