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O que aconteceu com Salt Bae: o chef turco que vende carne com ouro quebrou?

Ele provavelmente já apareceu na sua timeline. Seja salpicando sal sobre um corte de carne com um gesto teatral que virou meme ou servindo celebridades com um bife coberto por folhas de ouro. Nusret Gökçe, o chef turco de 42 anos, conhecido como Salt Bae, construiu um império gastronômico apoiado no espetáculo. 

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Nos cardápios de seus restaurantes, o Nusr-Et, os preços acompanham a extravagância: 680 libras (R$ 4.578) por um wagyu, 380 libras (R$ 2.558) por uma fraldinha e até 50 libras (R$ 335) por uma baklava (sobremesa turca). Agora, porém, o império que transformou carne em performance enfrenta um momento indigesto. 

A ascensão: de açougueiro a chef celebridade

Filho de uma família humilde no leste da Turquia, Nusret saiu de um açougue em Istambul para se tornar um dos nomes mais conhecidos da gastronomia de luxo. Nascido em Erzurum, abandonou a escola ainda criança para trabalhar como aprendiz de açougueiro e passou anos aperfeiçoando cortes, técnicas e atendimento.

 Nusret Gökçe, conhecido como Salt Bae, começou a carreira de açougueiro jovem na Turquia
Nusret Gökçe começou jovem a carreira de açougueiro na Turquia/ Reprodução/ Instagram @nusr_et

No fim dos anos 2000, ele pegou um empréstimo e viajou à Argentina e aos Estados Unidos para aprender mais sobre carnes. As viagens o ajudaram a moldar a estética que se tornaria sua assinatura: facas afiadas, carnes cobertas por folhas de ouro e um serviço quase coreografado. Em 2010, abriu o primeiro Nusr-Et, em Istambul, com apenas dez mesas.

Mas foi em 2017 que o negócio explodiu. Um vídeo em que salpicava sal de maneira dramática viralizou nas redes sociais e transformou o então açougueiro turco em um fenômeno pop. De repente, jogadores de futebol, milionários e celebridades passaram a disputar mesas em suas unidades de Dubai, Miami, Nova York e Londres. Até políticos brasileiros já apareceram degustando os famosos cortes com ouro. 

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A queda de Salt Bae: filiais fechadas e dívidas

O encantamento, no entanto, começou a perder força. A unidade de Londres passou a acumular críticas negativas no TripAdvisor e hoje soma média de 2,9 estrelas. Entre os comentários, clientes descrevem a experiência como decepcionante, cara e distante do luxo prometido. “Não vá, é uma atração turística superestimada e cara demais”, escreveu um usuário. 

Ao mesmo tempo, a expansão agressiva nos Estados Unidos começou a cobrar seu preço. Das sete unidades que a rede chegou a operar no país, restaram apenas duas em 2026 (Nova York e Miami). Uma unidade em Nova York e Boston fecharam as portas em 2023, Dallas e Las Vegas encerraram operações em janeiro de 2024, Beverly Hills saiu do mapa poucos meses depois. Na época, a empresa classificou os fechamentos como parte de uma estratégia de “crescimento internacional”.

Os números, porém, contam outra história. Documentos registrados na Companies House, órgão oficial de registro de empresas do Reino Unido, mostram que o grupo acumulou prejuízo de 5,5 milhões de libras antes dos impostos em 2024. Parte do rombo veio justamente da retirada das operações norte-americanas, que gerou 6,6 milhões de libras em despesas e arrastou a filial britânica, responsável pelos ativos nos Estados Unidos, para o vermelho. 

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As polêmicas em torno de Salt Bae começaram muito antes da crise financeira ganhar força. Em 2018, um vídeo publicado pelo chef no Instagram e no então Twitter provocou indignação nas redes ao mostrar Nicolás Maduro e a primeira-dama venezuelana, Cilia Flores, jantando em seu restaurante em Istambul enquanto a Venezuela enfrentava uma grave crise de fome. 

No ano seguinte, o chef voltou aos holofotes por motivos delicados. Em 2019, quatro ex-funcionários de Nova York processaram Gökçe e sua empresa, acusando a gerência de reter gorjetas e demitir funcionários que questionavam a prática. Mais tarde, uma ex-bartender abriu uma ação separada por discriminação, alegando que recebeu orientação para usar “saias curtas e blusas reveladoras” para se adequar à estética da marca. 

Outros processos envolveram acusações de horas extras não pagas e demissões injustas nos restaurantes da rede nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, funcionários em Londres e Dubai descreveram jornadas exaustivas e um ambiente de trabalho intimidador, altamente controlado pela imagem e pela performance. Os advogados de Gökçe negaram as acusações e classificaram os processos como “alegações sem fundamento direcionadas a uma marca bem-sucedida”. 

Uma vida nada mal

Apesar dos fechamentos e das críticas, Salt Bae ainda mantém prestígio na Turquia e em partes do Oriente Médio. O chef continua operando oito unidades em seu país natal e, neste mês, deu mais um passo ao inaugurar o primeiro Nusr-Et da América Latina, na Cidade do México. A próxima aposta já está definida: Ibiza, na Espanha, deve receber uma unidade ainda este ano.

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Nas redes sociais, porém, o fenômeno parece perder força. Embora ainda acumule mais de 50 milhões de seguidores, Nusret já não domina a internet como em 2017. Hoje, o personagem performático que ajudou a construir seu império começa a dar sinais de desgaste.

Salt Bae comprou hotel em Istambul
Salt Bae comprou hotel em Istambul por R$ 220 milhões/ Reprodução/ Instagram @nusr_et

Isso não significa que o luxo saiu de cena. Muito pelo contrário. Salt Bae segue exibindo uma rotina marcada por ostentação: jato particular, helicóptero, lanchas e uma coleção de carros esportivos que inclui Rolls-Royces. Em 2019, também comprou um hotel cinco estrelas, o Park Hyatt em Istambul, por cerca de R$ 220 milhões. 

O chef ainda mantém residências nos Estados Unidos e no Reino Unido e frequentemente aparece em um rancho que também faria parte de sua carteira de propriedades. Vaidoso, gosta de compartilhar treinos e exibir a forma física em diferentes partes do mundo. Não à toa, adotou para si o apelido de “The Saltfather”, referência direta ao clássico The Godfather (O Poderoso Chefão).

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