Pelo segundo ano consecutivo, Curitiba lidera o ranking das capitais com melhor qualidade de vida do Brasil. O novo Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado nesta quarta-feira, 20, deu à capital paranaense 71,29 pontos em uma escala de zero a 100, colocando a cidade no topo entre as 27 capitais avaliadas e na quinta posição geral entre todos os 5.570 municípios brasileiros analisados.
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O resultado, inclusive, reforça uma reputação construída ao longo de décadas: a de cidade que conseguiu preservar algum nível de organização urbana em um país marcado por congestionamentos crônicos, crescimento desordenado e serviços públicos sobrecarregados. A capital do “povo frio” (estereótipo que virou piada recorrente nas redes sociais) também se consolidou como símbolo de qualidade de vida urbana no Brasil.
O desempenho chama atenção justamente porque Curitiba não concorre com cidades pequenas e pouco populosas, cenário comum no topo desse tipo de levantamento. A capital disputa espaço com grandes centros urbanos e, ainda assim, continua aparecendo como exceção em um país onde viver bem costuma ser privilégio de municípios menores.
Atrás de Curitiba aparecem Brasília, São Paulo, Campo Grande e Belo Horizonte. A diferença entre a capital paranaense e as cidades que fecham o ranking ultrapassa 12 pontos, um retrato das desigualdades urbanas brasileiras. Porto Velho ficou na última posição entre as capitais avaliadas.
As cinco capitais mais bem colocadas no IPS Brasil 2026 foram:
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- Curitiba (PR) — 71,29
- Brasília (DF) — 70,73
- São Paulo (SP) — 70,64
- Campo Grande (MS) — 69,77
- Belo Horizonte (MG) — 69,66
A capital paranaense também foi a única cidade com mais de um milhão de habitantes a aparecer entre os 20 municípios mais bem avaliados do país. Eles são:
- Gavião Peixoto (SP) — 73,10
- Jundiaí (SP) — 71,80
- Osvaldo Cruz (SP) — 71,76
- Pompéia (SP) — 71,76
- Curitiba (PR) — 71,29
- Nova Lima (MG) — 71,22
- Gabriel Monteiro (SP) — 71,16
- Cornélio Procópio (PR) — 71,1
- Luzerna (SC) — 71,10
- Itupeva (SP) — 71,08
- Rafard (SP) — 71,08
- Presidente Lucena (RS) — 71,05
- Adamantina (SP) — 70,97
- Maringá (PR) — 70,87
- Alto Alegre (RS) — 70,86
- Ribeirão Preto (SP) — 70,80
- Brasília (DF) — 70,73
- Barra Bonita (SP) — 70,71
- Araraquara (SP) — 70,70
- Águas de São Pedro (SP) — 70,66
Cidade enriquecida pela Embraer lidera ranking nacional de qualidade de vida
No topo do ranking aparece Gavião Peixoto, pequeno município de 4,8 mil habitantes no interior de São Paulo que se transformou em um dos casos mais emblemáticos de desenvolvimento econômico ligado à indústria aeroespacial no Brasil.
A cidade, que, inclusive, abriga desde 2001 uma importante unidade da Embraer, liderou o IPS Brasil 2026 impulsionada por uma combinação rara de alta renda, infraestrutura urbana e indicadores sociais elevados.
Com PIB per capita de R$ 369,1 mil, o município concentra a montagem e os testes de aeronaves militares como o cargueiro KC-390 Millennium, os caças Gripen e o Super Tucano A-29. Por consequência, o impacto econômico da companhia ajudou a elevar também os índices de educação, saneamento e qualidade urbana: quase 95% da população possui acesso adequado a esgotamento sanitário e mais de 97% das vias públicas são arborizadas, segundo dados do IBGE.
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A cidade que transformou planejamento em identidade
Existe uma razão para Curitiba aparecer constantemente em discussões sobre urbanismo. A cidade construiu sua imagem apostando em planejamento urbano quando boa parte das capitais brasileiras crescia de forma acelerada e improvisada, como São Paulo, por exemplo.
Os corredores exclusivos de ônibus, o sistema integrado de transporte coletivo e os parques urbanos ajudaram a consolidar essa identidade. O modelo BRT (Bus Rapid Transit), por exemplo, implantado na cidade ainda nos anos 1970, virou referência internacional e foi exportado para outras cidades ao redor do mundo.
Muito desse legado, aliás, está associado ao arquiteto e ex-prefeito Jaime Lerner, frequentemente tratado como um dos principais responsáveis por transformar Curitiba em um case global de urbanismo.
A própria lógica dos parques da cidade nasceu de uma solução prática: conter enchentes sem recorrer apenas ao concreto. O resultado foi uma capital que conseguiu associar áreas verdes à própria identidade urbana.
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O que explica a liderança
Os números ajudam a entender por que Curitiba continua dominando os rankings. Segundo os dados do IPS, a cidade apresentou desempenho especialmente forte em saneamento, moradia e acesso à informação e comunicação. A cobertura de esgotamento sanitário ultrapassa 96%, enquanto mais de 85% das vias públicas possuem arborização.
Além disso, a cidade também avançou em indicadores ligados à conectividade. A nota de Curitiba em acesso à informação e comunicação saltou de 78,48 para 94,80 em apenas um ano, impulsionada pela cobertura de internet móvel e banda larga.
Ao mesmo tempo, outro fator ajuda a explicar a percepção positiva em torno da capital: a sensação urbana. Curitiba ainda transmite algo raro em grandes cidades brasileiras, ordem. Mesmo entre críticos da cidade, existe o reconhecimento de que há uma lógica urbana funcionando ali.
Nem os curitibanos parecem tão convencidos assim
Isso não significa unanimidade, no entanto. Nos últimos anos, moradores passaram a reclamar com mais frequência do trânsito, da alta no custo de vida e do aumento da violência.
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Em fóruns online e comunidades locais no Reddit, muitos usuários comentam que Curitiba já não parece tão tranquila quanto antes. Alguns falam sobre obras intermináveis, piora da mobilidade e sensação crescente de caos urbano.
Ainda assim, a percepção geral permanece praticamente intacta. Em um país onde qualidade de vida urbana costuma ser privilégio de cidades médias e pequenas, Curitiba continua sendo vista como a capital que conseguiu preservar algo que o resto das metrópoles brasileiras parece ter perdido há muito tempo.
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