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Trustee, ligada ao Banco Master, é custodiante de fundos alvos de nova fase da Carbono Oculto

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A nova fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Operação Fluxo Oculto e deflagrada nesta quinta-feira (28), colocou no centro da investigação uma nova rede de fundos de investimento que, segundo decisão da Justiça de São Paulo, teria sido usada para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro ligada ao desvio de nafta petroquímica e adulteração de combustíveis.

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Uma análise dos registros públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostra que os dois principais fundos atingidos pela operação — responsáveis pelos maiores bloqueios determinados pela Justiça — compartilhavam a mesma custodiante: a Trustee DTVM, instituição que já havia aparecido na primeira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025, e ligada ao entorno operacional do Banco Master.

A decisão judicial determinou bloqueios de aproximadamente R$ 85 milhões contra o Zeus FIDC, R$ 72 milhões contra o Gran Capital FIDC-NP e R$ 47 milhões contra o FIDC DB Crédito Global.

Segundo o juízo, os três fundos movimentavam recursos “a coberto de aparência legal”, utilizando operações com deságio inexistente ou mínimo, liquidação em prazo inferior a 30 dias e estruturas com poucos cotistas.

A decisão afirma ainda que Zeus e Gran Capital concentravam parte relevante da movimentação considerada suspeita e cita empresas como Petrodansk, Saara, Petroriente, Tercom, Arujá Terminais, Nova Rubília, Pix Card e Atena FIP dentro do fluxo investigado.

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Segundo a investigação, a engrenagem financeira investigada teria sido usada por organizações criminosas para circular e ocultar recursos obtidos no mercado ilegal de combustíveis.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada originalmente em 2025, apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital) por meio de distribuidoras de combustíveis, fintechs de pagamento e fundos de investimento estruturados para dar aparência lícita às movimentações financeiras.

Na primeira fase da investigação, Receita Federal e Polícia Federal afirmaram que o grupo utilizava empresas do setor de combustíveis, instituições de pagamento e fundos para movimentar bilhões de reais em operações consideradas incompatíveis com a atividade econômica declarada.

Segundo as autoridades, parte dos recursos passava por fintechs e estruturas financeiras antes de ser reinvestida em fundos de investimento usados como camada de ocultação patrimonial.

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A nova fase

A Nova Rubília Instituição de Pagamento aparece na decisão como uma das fintechs que teriam recebido valores diretamente do Zeus FIDC, enquanto a Pix Card surge ligada ao Atena FIP, também mencionado pelas autoridades dentro da estrutura investigada.

Já empresas como Petrodansk, Danpetro, Petroriente e Tercom atuam no setor de combustíveis e aparecem nos informes enviados à CVM como cedentes relevantes de direitos creditórios dos fundos em questão.

Uma análise dos registros públicos da CVM mostra que os fundos citados na decisão compartilham gestores, auditorias e prestadores de serviço.

O Zeus FIDC, apontado na decisão como “Zeus FIDC-NP”, aparece na CVM com administração da Actual DTVM, gestão da Ello Gestora de Recursos, auditoria da BGM Auditores e custódia da Trustee DTVM.

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Já o Gran Capital FIDC possui a mesma administradora, a mesma auditoria e a mesma custodiante do Zeus. A gestão, porém, é da Libertas Asset.

A Trustee aparece, portanto, como custodiante justamente dos dois fundos que concentram os maiores bloqueios determinados pela Justiça dentro da operação.

Na estrutura de um fundo, a custodiante é responsável por guardar, registrar e controlar os ativos financeiros da carteira, além de acompanhar liquidações e validar os direitos creditórios que lastreiam as operações.

O FIDC DB Crédito Global, também citado na decisão, aparece na CVM sob administração da Intra Investimentos DTVM e gestão da Ello Gestora. Diferentemente de Zeus e Gran Capital, o fundo não possui atualmente Trustee como custodiante nem BGM como auditora em seu cadastro público.

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Além da Trustee, os registros da CVM também revelam outras conexões entre os fundos.

Entre os nomes que aparecem conectando as estruturas estão Guilherme Mourão Vaz, diretor da Actual DTVM e ligado aos fundos Zeus e Gran Capital; Edward Bertelli Júnior, da Libertas Asset; e Luis Roberto Zaratin Soares, da Ello Gestora.

A Libertas Asset — gestora do Gran Capital — também mantém um elo histórico documentado com o entorno do Master. Os registros da CVM mostram que a gestora foi responsável pelo Raydan Invest FIDC-NP, fundo cancelado em 2023 que tinha a Master S/A Corretora como administradora e custodiante.

O Raydan não aparece na decisão judicial da Operação Fluxo Oculto, mas estabelece uma ponte documental entre a Libertas e uma estrutura anteriormente ligada ao conglomerado financeiro.

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Ligações e avanço do patrimônio

Os dados também mostram crescimento expressivo dos fundos ao longo dos últimos anos.

O Zeus FIDC saiu de patrimônio líquido de R$ 17,5 milhões em dezembro de 2020 para R$ 89,8 milhões em abril de 2026, atingindo pico de R$ 112 milhões em agosto de 2025.

O Gran Capital FIDC cresceu de R$ 10,2 milhões em dezembro de 2022 para R$ 74,4 milhões em abril deste ano — maior valor da série histórica disponível na CVM.

Já o FIDC DB Crédito Global saiu de R$ 6,2 milhões no fim de 2023 para R$ 46,9 milhões em abril de 2026.

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Os informes mensais enviados à CVM mostram ainda presença relevante de empresas do setor de combustíveis entre os cedentes dos fundos.

No Gran Capital, aparecem Petrodansk Indústria e Comércio de Hidrocarbonetos e Danpetro Distribuidora de Petróleo. Em novembro de 2025, o fundo registrava forte deterioração da carteira de direitos creditórios, com cerca de R$ 42,5 milhões em operações vencidas e inadimplentes sobre um total de R$ 51,1 milhões em ativos com risco.

No DB Crédito Global, a Petrodansk também aparece como cedente recorrente ao longo dos meses analisados.

Já no Zeus FIDC, a Liquipar Operações Portuárias passou a figurar entre os cedentes relevantes a partir de 2026.

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O Brazil Special Opportunities Fund I não aparece na decisão judicial, mas surge na varredura da CVM compartilhando a mesma combinação de administradora, gestora, auditoria e custodiante do Atena FIP.

Trustee volta a aparecer

Na primeira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025, a Trustee foi alvo da Polícia Federal. Pouco antes da batida, porém, a financeira havia renunciado à administração de diversos fundos citados nas investigações. Entre eles estavam Olimpia FIM Crédito Privado, Pinheiros FII, Minesotta FII, Pegasus FIP Multiestratégia, Vancouver FII, Ruby Green, Grey Eagle e Toronto FII.

Segundo a instituição, na época, a decisão foi motivada por questões de compliance relacionadas à atualização cadastral das estruturas.

A instituição pertence a Maurício Quadrado, sócio de Vorcaro que deixou o Master em 2024 e antigo responsável pela área de investimentos do banco. Além disso, o empresário Nelson Tanure também é constantemente apontado como dono da empresa.

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A Banvox DTVM — principal veículo de investimento de Vorcaro e Quadrado no Banco Master — também apareceu na primeira fase da Operação Carbono Oculto por meio da administração de fundos ligados às estruturas investigadas pela Polícia Federal.

Embora os documentos públicos não permitam concluir controle comum entre todas as estruturas analisadas, os registros da CVM mostram que parte relevante dos fundos investigados operava dentro da mesma engrenagem de gestores, custodiante, auditorias e operadores já presentes em estruturas associadas ao entorno do Banco Master.

A reportagem não conseguiu contato com a Trustee até a publicação desse texto. O espaço segue aberto.

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