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Cabo Daciolo, pré-canditado a presidente da República pelo Mobiliza (Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
Ex-deputado federal e ex-bombeiro e, novamente, pré-candidato a Presidência da República, Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, conhecido nacionalmente como Cabo Daciolo, se tornou um dos casos mais curiosos da política brasileira. Saiu de uma greve no Rio de Janeiro, foi abraçado pela esquerda, passou pelo Congresso e se destacou nacionalmente na disputa presidencial em 2018 com uma campanha baseada em fé e linguagem religiosa.
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Com 1,3 milhão de votos e um sexto lugar na eleição presidencial daquele ano, Daciolo deixou de ser visto como figura marginal e passou a ocupar um espaço próprio na política brasileira. Um caso de mobilização político-religiosa fora do sistema tradicional. Nas eleições de 2026 até chegou a se lançar pré-candidato ao Senado no Amazonas pelo Solidariedade, mas migrou para o Mobiliza, antigo PMN, na tentativa de chegar ao Palácio do Planalto.
Da greve à Câmara dos Deputados
A trajetória do político começo em 2011, quando Daciolo liderou o movimento de bombeiros no Rio de Janeiro por melhores salários e condições de trabalho. A ocupação de instalações militares, ilegal para a categoria, o levou à prisão e à expulsão da corporação, em 2012.
Ele foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela liderança nos atos, após anistia a bombeiros e policiais envolvidos em greves no período, mas o episódio redefiniu sua trajetória. Uma pauta trabalhista ganhou dimensão política e Daciolo simbolizou o enfrentamento ao Estado, dando origem à narrativa de perseguição institucional que sustentaria sua comunicação nos anos seguintes.
Filiado ao PSOL, partido de esquerda, Daciolo foi eleito deputado federal em 2014, com apoio de movimentos de base e o capital político oriundo das ruas. A permanência na legenda durou pouco. Em 2015, entrou em rota de colisão com o PSOL após declarações e posicionamentos considerados incompatíveis com a linha partidária, especialmente a defesa pública de policiais em casos de grande repercussão.
A expulsão marcou uma inflexão ideológica e abriu caminho para sua reconfiguração no espectro político. Migrou para o antigo PTdoB e adotou uma postura ideológica à direita, mas não poupou de críticas aos políticos desse espectro ideológico.
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Durante sua atuação no Congresso, Daciolo apresentou propostas que geraram reação no meio jurídico, como a tentativa de inserir referência a Deus na Constituição. Para constitucionalistas, a iniciativa confronta o princípio do Estado laico e levanta debate sobre os limites institucionais da atuação parlamentar.
Linguagem bíblica furou a bolha da política tradicional
Em 2018, já pelo Patriota, Daciolo manteve a religião no centro da campanha presidencial, ficou marcado pela expressão “Glória a Deus”, repetida durante a campanha sempre com o sotaque carioca, e estruturou uma estratégia de comunicação de baixo custo e alto engajamento.
Reduziu a dependência de propaganda tradicional e apostou em transmissões ao vivo, linguagem espiritualizada e referências constantes a profecias, missões divinas e intervenções religiosas na política. Com gastos de apenas R$ 808,92 declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), superou figurões da política como Marina Silva (Rede), Alvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB).
Segundo cientistas políticos, o modelo ampliou alcance em segmentos evangélicos e periferias urbanas, com forte tração digital. Em contrapartida, a estratégia restringiu a penetração entre eleitores moderados e no centro político.
No segundo turno daquela eleição, não apoiou nem o eleito Jair Bolsonaro e nem Fernando Haddad, mas não manteve a neutralidade: “Minha aliança é com Jesus”, declarou à época.
Onde está Daciolo hoje
Em 2022, Daciolo chegou a se lançar como pré-candidato a presidente, mas desistiu da disputa por “ordem de Deus”, segundo declarou à época, e declarou apoio a Ciro Gomes, então candidato pelo PDT.
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Na eleição, tentou uma cadeira ao Senado pelo Rio de Janeiro e ficou na quinta colocação, com 285.037 votos, na disputa vencida por Romário (PL), reeleito com 2,384 milhões de votos. De volta à missão de ser eleito presidente do Brasil, Daciolo manteve presença ativa nas redes sociais e em circuitos conservadores, operando como influenciador.
Sua comunicação segue baseada em crítica ao sistema político e em leituras espiritualizadas da conjuntura, incluindo comentários sobre o presidente Lula e o ex-presidente Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
Nas pesquisas divulgadas recentemente com a inclusão do seu nome, Daciolo figura entre os últimos colocados na preferência dos entrevistados. Sinal que o ex-cabo que ganhou fama no enfrentamento aos militares, terá uma uma dura missão para ser alçado ao comando do País a partir de janeiro de 2027.
* Sob supervisão de Gustavo Porto
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